A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/09/2021
O romance filosófico “Utopia”, criado por Thomas Morus no século XVI, retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos. Tal obra fictícia mostra-se muito distante da realidade contemporânea no tocante, a questão da fome em tempos de pandemia problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre por conta da falta de emprego nessa situação e o aumento dos preços por conta da inflação. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar a carência da falta de emprego deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa de atuação das autoridades, “o desemprego atingiu o recorde de 14,7%, ou 14,8 milhões de brasileiros no tempo de pandemia", diz Fernando Rodrigues. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação.
Além disso, o aumento dos preços apresenta-se como outro desafio da problemática. De acordo com Roberto Campos, “A inflação é um monstro brutal e cruel que tortura particularmente os assalariados. Infelizmente, é impossível controlá-la por simples tabelamento de preços e punição dos especuladores.”. Tal conceito abordado é materializado no Brasil, haja vista que a inflação oficial acumulada medida pelo IPCA foi de 7,39%, o que, consequentemente leva ao aumento dos produtos. Logo, tudo isso retarda o combate para a perpetuação desse quadro deletério.
Infere-se, portanto, a necessidade da mitigação dos entraves em prol da questão da fome em tempos de pandemia. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar as taxas de vagas e emprego, com o objetivo de melhorar as porcentagens no próximo ano. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira.