A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 16/09/2021
No livro ‘‘Vidas Secas’’, de Graciiano Ramos, é retratada uma família negligênciada pelo Estado, e em decorrência disso é assolada pela miséria. Fora da ficção, ainda hoje muitos brasileiros são vítimas da extrema pobreza e dos efeitos dessa, como a insegurança alimentar que está ainda mais presente na vida das pessoas de todo o globo, por causa da pandemia do corona vírus. Nesse contexto, a desigualdade social foi intensificada, sendo a população pobre a mais afetada pela fome, e por consequinte as crianças pertencentes a classes sociais mais baixas têm seu desenvolvimento afetado.
Em primeira análise, a desigualdade social brasileira sempre foi notável, todavia essa se fez mais gritante por cota da pandemia. Assim, os mais pobres foram mais rigorosamente atingidos negativamente na esfera economica e alimentar. Por isso, tais pessoas foram sujeitas a fome, a qual coloca a saúde e vida dos indivíduos em risco. E por isso, tais cidadãos são alienados do direito à alimentação adequada que é previsto no artigo sexto da Constituição brasileira.
Ademais, devido a insegurança alimentar causada pela crise de saúde pública as crianças mais pobres têm seu desenvolvimento físico e psicológico afetados. Isso porque, em decorrência da pandemia as crianças deixaram de frequentar a escola presencialmente, e com isso, a merenda escolar também foi interrompida, o que prejudicou a alimentação das crianças mais pobres. Por consequinte, o aprendizado dessas também foi comprometido, pois segundo a nutricionista Eliza Sampaio uma boa alimentação está diretamente conectada com um melhor aprendizado escolar. Logo, se as crianças mais pobres não forem alimentadas adequadamente, essas terão dificuldades de aprendizado que tenderão a se acumularem e prejudicarem o desempenho dessas crianças, o que será um fator desmotiador para o ingresso delas no ensino superior, e por isso suas opcões no mercado de trabalho serão limitadas e a desigualdade social reforçada.
Portanto, diante dos argumentos supracitados é essencial a resolução da fome nos tempos de pandemia. Para tal, a sociedade civil deve se unir por meio instituições filantrópicas, como igrejas, fundações e grupos, os quais devem distribuir cestas básicas para comunidades carentes. Além disso, o Estado deve criar um programa, no qual as pessoas ou famílias que sofram de insegurança alimentar se cadastrarão, por meio de sites ou postos de atendimento destinados a tal cadastro, e terão seus documentos avaliados, caso tais cidadãos comprevem a renda insuficiente para a manutenção de uma alimentaçao adequada o Estado deve prover a entrega de cestas básicas para esses indivíduos e famílias. Desse modo, o abandono dos cidadãos pelo Estado estará restrito a narrativas ficcionais, como a de Graciliano Ramos.