A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 19/11/2021
Na obra cinematográfica “O Poço”, entre outras abordagens, alude de forma metafórica a questão da fome, onde nesse poço às pessoas lutam por alimento e sobrevivência até o ponto de matar para conseguir comida. Para além da ficção, na hipermodernidade brasileira, a insegurança alimentar grave é uma mazela socioeconômica redutora da qualidade de vida no país, maximizada, pela pandemia do COVID-19. Dessa forma, a desigualdade social, bem como a fragilidade das políticas públicas são fatores que sustentam esse triste cenário.
Em primeira análise, convém pontuar a disparidade social e econômica existente no Brasil como propulsora do aumento de indivíduos com fome. Isso porque a má distribuição de renda contribui para que haja uma quantidade significativa de pessoas com uma renda renda muito baixa, consequentemente vítimas da insegurança alimentar. Além disso, com o agravante da pandemia, muitos cidadãos ficaram desempregados e com dificuldades de comprar alimentos, tal fato é comprovado pela pesquisa do IBGE que afirma um aumento de 15% no preço dos alimentos desde o início da pandemia. Desse modo, nota-se a necessidade de combater tamanho descalabro.
Ademais, outro ponto relevante é a fragilidade das políticas públicas nesse âmbito, pois apesar de já existirem algumas ações governamentais, ainda é persistente a questão da fome. Nessa apreensão, a ação estatal é de suma importância para fortalecer às medidas de combate a essa mazela, visto que a falta de nutrição adequada atinge a saúde e predispõe os indivíduos às doenças. Dessa maneira, aumentar os programas de auxílio alimentar colocará em prática o artigo 6º da Constituição Federal e garantirá aos cidadãos brasileiros a oportunidade de alimentação, além do mais deixarão de ser apenas “Cidadãos de Papel” - consoante ao renomado escritor Gilberto Dimenstein.
Fica claro, portanto, que são inadiáveis legítimas resoluções para reverter essa problemática. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania, junto às Secretarias Estaduais, a criação de um plano nacional e intersetorial, que vise reduzir ao máximo a insegurança alimentar. Tal projeto será instrumentalizado mediante aumento de verba pública para ampliar o número de cadastros de pessoas em vulnerabilidade socioeconômica no Bolsa Famíia, como também distribuição de cestas básicas em localidades mais carentes com o intuito de dar amparo e ajuda ao cidadão durante o período da pandemia. Essas medidas têm por finalidade mudar a realidade brasileira e para que os brasileiros não tenham que passar pela situação representada no filme “O Poço”.