A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 29/09/2021

A Constituição Federal promulgada em 1988, pela Assembleia Constituinte, possui a alimentação como um dos direitos básicos dos cidadãos. Entretanto, a questão da fome em tempos de pandemia é um problema que assola a realidade de muitos brasileiros, uma vez que o descaso estatal e a indiferença social explicam bem essa temática.

Diante desse cenário, pode-se afirmar que este empecilho advém da ineficácia de políticas públicas. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman vaticinou que o Estado está em crise. Sob essa lógica, nota-se que a falta de investimento no setor alimentício, voltados para a população mais carente, impulsiona esta adversidade, já que esses não possuem recursos financeiros suficientes para suprimir esta necessidade básica. Portanto, é inadmissível que este impasse perdure no corpo social, dado que existem leis nacionais que visam combatê-lo.

Outrossim, outra causa para a configuração do óbice é que o corpo civil não prima mais pelo bem-estar de todos. Nessa perspectiva, o escritor José Saramago, no romance “Ensaio sobre a Cegueira”, utiliza o termo “eclipse da consciência” para sintetizar a ausência de responsabilidade da população diante dos imbróglios enfrentados pelo próximo. Por esse lado, constata-se que a indiferença da sociedade perante as situações de inanição alimentar dos indivíduos mais vulneráveis, amplia a questão da fome em tempos de pandemia. Logo, enquanto a individualidade sobrepor a coletividade, mais pessoas continuarão nesta situação, impossibilitando a resolução deste entrave.

Destarte, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esta atual situação. Para tanto, o Estado, como ente provedor do bem-estar social, deve investir em programas sociais efetivos para a distribuição de alimentos, por meio do direcionamento de verbas para estes campos, com o intuito de acabar com a fome ainda existente em todo o País. Além disso, a mídia, como meio veiculador de informações, precisa conscientizar a sociedade sobre o seu importante papel no enfrentamento deste problema, posto que se cada individuo puder auxiliar o seu semelhante neste contexto, mais rápido será a resolução deste. Somente assim, o que está preceituado na Constituição de 1988 será comprido.