A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 17/09/2021
O livro “A seleção”, escrito pela autora americana Kiera Cass, conta a história da América, a qual faz parte de uma família com sete filhos e luta contra a fome diariamente, pelos baixos recursos para conseguir alimentos para sobreviver. Fora da ficção, o número de famílias que vivem em situações parecidas como a de América aumentou com a pandemia do coronavírus. Ao refletir a respeito da fome nos tempos de pandemia, no século XXI, a problemática ocorre em virtude do desemprego estrutural, acompanhada pelo alto nível de desigualdade. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.
A princípio, torna-se possível perceber, que no Brasil há um alto índice de desemprego estrutural, isto é, provocado pela substituição da mão de obra por máquinas. Diante disso, segundo o Jornal Agencia de Noticias, em 2020 os efeitos do desemprego estrutural afeta cerca de 5,5 milhões de pessoas. Analogamente, o serviço efetuado por várias pessoas atualmente foi trocado por uma máquina, assim colocando diversas sem emprego e sem condições para se alimentar adequadamente, muitas em situação de fome extrema. Uma vez que, com as consequências da pandemia na economia, fez com que diversas famílias perdessem o seu emprego.
Desse modo, a desigualdade está intrinsecamente no direito mais básico do ser humano: o ato de comer. À vista disso, nota-se a teoria do sociólogo Milton Santos, “Cidadania Multilada”, o qual diz que há um fator que multina a cidadania, ou seja, a disputa desigual por poder. Seguindo essa linha de pensamento, isso faz com que certos grupos não consigam usufruir plenamente dos direitos. Além disso, as camadas mais baixas da sociedade sofrem por essa desproporção, principalmente os desempregados e pessoas de periferias, as quais lutam diariamente contra o preconceito e diferenças, ainda mais evidentes com a epidemia do coronavírus.
Por conseguinte, fica claro que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas, em praças públicas, ministradas por psicólogos, que discutam o combate a desigualdade social no país, de forma que o tecido social desprenda-se de certos tabus e não caminhe para um futuro degradante como no livro “A Seleção”.