A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 24/09/2021
No poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira, o autor faz críticas à realidade brasileira sobre a falta de alimentos para parte da população. Embora a poesia tenha sido escrita no final da década de 1940, o triste contexto da fome ainda permeia a vida de inúmeros cidadãos brasileiros, principalmente após a eclosão da pandemia do novo coronavírus, a qual acentua ainda mais esse problema execrável na sociedade. Tal problemática é gerada não só pela falta de atenção e aprendizado em relação ao passado da humanidade como também devido à má distribuição de suprimentos por todo o mundo.
Em primeira instância, é lícito comentar como períodos passados podem ensinar as pessoas a se portarem melhor mediante um problema atípico. À luz disso, ressalta-se a ocorrência da denominada “peste negra”, ocorrida no século XIV, na qual, devido ao contágio acelerado da peste bubônica, doença infecciosa transmitida por pulgas de ratos, quase um terço da população europeia morreu. Dessa forma, ratifica-se como cenários passados são elementares para lidar com problemas atuais, visto que, de acordo com o filósofo espanhol George Santayana, “Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados à repeti-lo”. Assim, compreende-se que o conhecimentos históricos anteriores podem auxiliar na solução para a insegurança alimentar causado pela atual pandemia.
Em segundo lugar, é valido frisar como o problema da não equitativa distribuição de alimentos é o principal causador da fome e não a falta de comida por carência produtiva. Nessa lógica, vale salientar a revolução verde, ocorrida em 1970, a qual possibilitou, mediante a evolução tecnológica dos métodos agropecuários, uma maior produtividade de alimentos. No entanto, apesar de o Estado brasileiro passar por melhorias na cadeia produtiva, as quais, possibilitariam que todos os cidadãos tivessem acesso irrestrito à comida, muitos indivíduos não tem acesso a uma alimentação básica, o que acontece pelo modelo agroexportador adotado. Assim, percebe-se a necessidade de incentivar a agricultura familiar no fito de distribuir bem os alimentos e não deixar a população a mercê de decisões políticas.
Portanto, fica clara a insegurança de alimentos no Brasil, que é agravada pela pandemia. Assim, cabe ao governo federal - por meio de uma parceria com ONGs, como a LBV - elaborar um programa que vise investir nos meios de transporte e distribuição de suprimentos alimentícios para todas os locais do Brasil, especialmente as Regiões Norte e Nordeste, a fim de que o número de pessoas que passem por condições alimentares extremas diminua. Ademais, cabe à Secretaria da Cultura, mediante uma associação com instituições de ensino, criar projetos que incentivem a análise mais aprofundada da história, com o intuito de que problemas presentes, como a subalimentação, possam ser resolvidos pelo estudo de materiais, como os de Manuel Bandeira e da crise supracitada acima.