A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 21/09/2021

No livro “This Perfect Day”, do escritor Iran Levin, narra a história de uma sociedade que se encontra livre de quaisquer conflitos e dilemas pessoais, de maneira que todos usufruem de plena felicidade. No entanto, a prática dertupa a teoria, uma vez que, infelizmente, o aumento da fome na pandemia tem se tornado um dos maiores problemas a serem enfrentados. Nesse contexto, a desigualdade social enraizada no país e a falta de apoio do Estado acerca dessa temática, têm se tornado os maiores fomentadores do problema.

Diante dessa perspectiva, é interessante entender como a desigualdade social contribui para a existência dessa situação. Nessa óptica, Milton Santos, importante geógrafo brasileiro, diz em uma de suas falas que existem apenas duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem. Nesse sentido, a distribuição desigual de alimentos pelas autoridades, bem como a postura individualista da população de média e alta classe social, que por visão competitiva não ajudam aqueles que necessitam, contribuem para que haja números elevados de mortes e sofrimentos, principalmente, no cénario de pandemia, no qual o preço dos produtos aumentaram e as oportunidades de empregos diminuíram. Logo, a parcela afetada por essa individualidade encontra-se no escuro sem saber lidar com esse problema.

Além disso, cabe analisar a conduta do Estado em relação ao aumento da fome em tempos de pandemia. A esse respeito, o filósofo Thomas Hobbes afirma que é dever do Estado garantir o bem-estar social da população. Entretanto, isso não é efetivado na prática, tendo em vista o aumento da fome devido ao pouco investimento, essencialmente, para esse corpo social. Assim, as famílias, que por receberem escassamente ou até mesmo nada do Estado, acabam se prejudicando e não tendo seus direitos correspondidos pelas autoridades em questão.

Portanto, é necessário desenvolver estrátegias para reverter esse caso. Nessa linha de raciocínio, o Estado, como autoridade que organiza o espaço de um povo ou nação, deve investir em projetos de doação de cestas básicas, por meio de subsídios tributários estaduais, com o intuito de sanar a fome da maioria das pessoas e tira-lás do sofrimento. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de palestras em praças públicas, informar a população sobre a importância de ajudar o próximo, sobretudo, na pandemia. Só assim, a história narrada pelo escritor Iran Levin no livro “This Perfect Day” poderá fazer sentido.