A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 20/09/2021
O mito da Caverna, narrado por Platão, filósofo grego, consistia em expor a situação de pessoas que viviam em desconhecimento da realidade que as cercavam. De modo, semelhante à alegoria do pensador, nota-se a necessidade de criar estratégias para trazer à tona a questão da fome em tempos de pandemia, uma vez que muitos indivíduos não enxergam esse problema na sociedade brasileira. Logo, esse cenário antagônico é fruto do silenciamento e da insuficiência legislativa.
Nessa perspectiva, é válido destacar como causa latente do problema a invisibilização da questão. A esse respeito, Habermas traz uma contribuição pertinente ao defender que a linguagem é a verdadeira forma de ação. Porém, verfica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a questão da fome em tempos de pandemia, que, segundo a reportagem do Fantástico, afetou quase 9% da população brasileira, contudo vem sendo tratado como um problema já resolvido. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria as chances de atuar nesse desafio.
Ademais, a ineficácia legislativa é um fator determinante para o entrave no Brasil. Segundo o filósofo contratualista John Locke, “as leis fizeram-se para o homem e não para as leis”. Ou seja, ao ser criada uma lei, com o intuito de ajudar as pessoas em sua aplicação, é preciso de políticas públicas e investimento massivo, de modo a garantir o direito à alimentação. No entanto, sem a regulamentação necessária o problema continua a persistir.
Portanto, medidas são necessárias para conter a problemática. Para isso, é crucial que o Governo Federal, por meio de verbas públicas, promova uma distribuição de cestas básicas mensais para todas as famílias e moradores de rua, a fim de garantir o direito á alimentação e acabar com a insuficiência legislativa presente. Além disso, tal projeto pode, ainda, ser divulgado nas mídias de massa, com o objetivo de quebrar o silenciamento.