A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 20/09/2021

No livro de Machado de Assis, o personagem Brás Cubas, em suas “Memórias Póstumas”, afirma não ter tido filhos para não transmitir o legado da miséria humana. Infelizmente, é possível, na contemporaneidade, confirmar a sua ideia através da observação da ultrajante questão da fome em tempos de pandemia. Nesse âmbito, cabe analisar as principais causas, consequências e possível alternativa para atenuar os efeitos da problemática.

Deve-se compreender, a priori, que a fome já era um empecilho da humanidade antes da pandemia, sendo resultado da desigualdade social. Entretanto, as várias recessões geradas em vários países por causa desse período agravaram essa conjuntura em diversas regiões. Assim, em concordância, a Organização das Nações Unidas relatou que, no ano pandêmico de 2020, a fome disparou, ultrapassando, em número, o crescimento populacional. Sobre isso, é indubitável que esse cenário é decadente e não deve ser aceito pela sociedade.

Vale destacar, ainda, que o impacto da realidade das panelas vazias desrespeita o direito a alimentação, garantido pela Constituição Federal de 1988. Dessa maneira, de acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid, divulgado em 2020, mais da metade da população brasileira está exposta a ameaça a esse direito. Dessa forma, é inquestionável a injusta estagnação e retrocesso do desenvolvimento pessoal de cada indivíduo e social de toda a comunidade.

Por conseguinte, em virtude dos fatos mencionados, é inegável que o contexto da fome em período de pandemia reforça a teoria de Brás Cubas, sobre o legado da miséria humana. Nesse viés, para, de fato, diminuir os efeitos dessa controvérsia, o Estado e o Ministério da Família, em parceria com ONG’s e organizações religiosas, devem investir em projetos sociais de combate a fome, através da disponibilização de capital suficiente para pesquisas e mapeamentos das regiões e grupos mais afetados, e imediata distribuição de cestas básicas, além de fornecer e fiscalizar a assistência social às pessoas e famílias mais afetadas. Desse modo, a má distribuição de alimentos resultará em implicações cada vez mais brandas e será possível refrear essa condição.