A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 20/09/2021

Em 2021, dados da Organização Mundial da Saúde revelaram que o Brasil se encontra, pela primeira vez, desde o governo Lula (2003 a 2011), em grave situação de insegurança alimentar. Segundo reportagens que foram feitas em seguida à divulgação do dado, como as da BBC News Brasil, parte da razão pela qual tantas famílias são assoladas pela fome é a má administração da pandemia de COVID-19. Logo, tem-se que a fome durante esse período se deve à maior preocupação com a economia do que com o povo, e à falta de políticas públicas que assegurem melhores condições de vida.

Primordialmente, convém mencionar a matéria publicada pela Folha de São Paulo, segundo a qual 42 brasileiros se tornaram bilionários durante o ano de 2021, enquanto mais de 50% da população não sabia se teria o que comer no dia seguinte, conforme informa a OMS. Com isso em vista, são recordados discursos proferidos pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e seus ministros, afirmando que o povo brasileiro não poderia parar de trabalhar, pois era necessário atentar à economia. Assim sendo, diversos trabalhadores foram expostos ao risco de vida que o Coronavírus representa, e encontraram-se diante de um dilema: ir trabalhar e manter o sustento, ou ficar em casa sob a possibilidade de passar fome? Dessarte, é evidente que a priorização do enriquecimento dos empresários, em detrimento do acolhimento ao povo trabalhador, causou a perda do emprego de muitos, e a culminação em situações de miséria profunda.

Ademais, é importante discutir a ausência de medidas institucionais que apoiassem os mais pobres durante a pandemia. Por exemplo, o auxílio emergencial foi reduzido, de 600 reais para menos de 380. Adicionalmente, iniciou-se uma agenda de privatizações que tornaram o emprego um aspecto de cada vez mais instabilidade, além de prejudicar os direitos trabalhistas. Paralelamente, realiza-se uma reflexão sobre o que diz Ivan Pinheiro, militante do Partido Comunista Brasileiro: espera-se que, para atender aos interesses dos patrões, é estratégico que ocorram regressos nas conquistas históricas dos trabalhadores, como demonstra o ataque às leis que os protegem. Assim, pouco a pouco, cria-se um cenário de pobreza e fome ao redor de todo o Brasil.

Em conclusão, é possível afirmar que a Câmara dos Deputados precisa garantir a proteção dos trabalhadores de seu país. Isso pode ser realizado por meio da aprovação de um Projeto de Lei que institua o aumento do auxílio emergencial para, no mínimo, 600 reais, além de tornar obrigatória a disponibilização de aparelhos de defesa contra o COVID-19 nos ambientes de trabalho. Dessa maneira, as pessoas em condições menos abastadas serão capazes de se manter em empregos fixos, seguras contra o vírus, e poderá ser combatida a fome por intermédio da segurança financeira.