A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 21/09/2021

A tela ‘‘Os Retirantes’’, de Candido Portinari, foi feita na segunda metade do século XX, quando o artista vivia uma fase de persistentes observações. Em sua pintura, percebe-se, a partir de pinceladas fortes, a angústia da fome na representação de retirantes em estado de miséria. Assim como os imigrantes retratados na obra, milhões de brasileiros possuem uma renda per capita baixa e, por isso, muitos passam fome por serem vítimas de uma sociedade excludente. A partir desse contexto, é fundamental analisar o que motiva a questão da fome, bem como os efeitos sociais desse entrave.

Nesse sentido, é imprescindível analisar que a questão da fome em temos de pandemia advém da negligência política. Ao partir como base o pensamento do ilustre geógrafo Josué de Castro, ‘‘o que falta é vontade política para mobilizar recursos a favor do que têm fome’’, conceito esse que criticava a logística de como era feito as distribuições monetárias. Sob essa linha de raciocínio, à medida que a postura política de priorizar interesses pessoas se enraíza, as dificuldades de conduzir a sociedade, sobretudo, o Brasil no mapa da fome, são acentudas. Dessa forma, por causa da falta de políticas governamentais, a fome no corpo social atual, consequentemente, cresce exponencialmente. Como fundamentação, por exemplo, dados divulgados pelo G1, em 2020, revelam que cerca de 19 milhões de pessoas passam fome no Brasil, país que está entre os líderes mundiais na produção de alimentos.

Ademais, é fundamental entender que, em decorrência da fome em tempos de pandemia em países subdesenvolvidos, como o Brasil, outros problemas sociais tendem a surgir, como o aumento de roubos e furtos. Com efeito de comparação, a Islândia é um dos países com maior desenvolvimento social e, o país com menos roubos e furtos no mundo, enquanto o Brasil, encontra-se na posição 73º mundial em progreções sociais e, aparece na posição 7º no ranking de países com maior índice criminal. Sob essa linha de comparação, percebe-se que a base de uma sociedade é o desenvolvimento da própria, entretanto, no Brasil contemporâneo não ocorre nenhuma iniciativa para tal progressão. À vista disso está na histórica relação do brasileiro com a fome retratada até na ficção, no século XX, por João Cabral, quando denuncia condição de Severino, um brasileiro vulnerável por causa da fome.

Portanto, é evidente que a questão da fome no Brasil fomenta um quadro de anomia social. Assim, é fundamental que o Poder Executivo, mais espeficiamente o Ministério da Cidadania, fomente centros de apoio em todo o país. Tal iniciativa ocorrerá por meio da implantação de um Projeto Nacional de Combate à Fome Nacional, o qual coordenará um programa social de distribuição de cestas básicas para as famílias mais pobres. Isso será feito a fim de proporcionar a erradicação da fome no Brasil Afinal, a situação vivenciada pelos retirantes na obra de Portinari, assusta até na ficção.