A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 22/09/2021
Em Paraisópolis, bairro de São Paulo, manifestantes realizaram um ato pacífico denominado “ Panelas vazias” com o objetivo de impulsionar a campanha de arrecadação de alimentos para as comunidades gravemente afetadas pela pandemia de Covid-19 . Nesse contexto, urge-se a necessidade de intervenção da fome nesse cenário pandêmico. Entre os fatores relacionados a esse infortúnio, destacam-se a elevada desigualdade social brasileira e a ausência de politicas publicas capazes de sanar esse problemática.
Sobre o assunto, cabe apresentar o argumento do economista Thomas Malthus do século XVIII, no qual defende a ideia de que a população crescia em progressão geométrica enquanto a produção de alimentos, em progressão aritmética. Cabe analisar, entretanto, que a questão da fome no Brasil esta mais relacionada com a má distribuição do que com a ausência de alimentos. Nesse sentido, com o advindo da Revolução Verde, houve um salto exponencial na produção de alimentos, graças ao avanço tecnológico, mas apesar dessa capacidade de produção, a questão da fome não foi sanada. Essa problemática torna-se ainda mais grave quando percebida em cenários de crise econômicas, como a ocasionada pela atua pandemia do Covid-19, como comprova os dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid que revelam cerca de 19 milhões de brasileiros em situação grave em relação ao acesso à alimentação.
Além disso, cabe perceber a negligencia Estatal no tocante a criação de políticas publicas capazes de intervir nesse cenário de fome. De acordo com o escritor Gilberto Dimenstein no seu livro “Cidadão de papel”, a verdadeira democracia, aquela que implica o total respeito aos direitos humanos, está ainda bastante longe no Brasil, existindo apenas no papel. Nessa perspectiva, apesar de o artigo 6 da Constituição Federal Brasileira prevê a alimentação como direito social de todos os cidadãos, não se observa, de fato, medidas eficientes de intervenções à problemática da fome.
Tornam-se evidentes, portanto, os entraves referentes a questão da fome no Brasil em tempos do Covid-19. Em razão disso, é imperioso a criação de políticas publica pelo Governo Federal, por meio da instituição de cursos técnicos profissionalizantes com transferência de renda, isto é o Estado transferir verba as pessoas enquanto elas se qualificam para o mercado de trabalho em cursos técnicos, a fim de poder garantir a longo prazo uma maior qualidade de vida aos cidadãos brasileiros e reduzir o quadro alarmante da fome. Ademais, é mister que as ONG’s, por intermédio das redes sociais, desenvolvam projetos de arrecadação de doações voltadas a distribuição de marmitas aos bairros mais carentes. Com isso, substituir a cidadania de papel por uma cidadania real com garantia dos direito humanos.