A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 28/10/2021

É notória uma grande recessão econômica mundial advinda em função da pandemia do Coronavírus. No Brasil, essa crise está sendo expressa em forma de desempregos, condições insalubres de moradia e, principalmente, no crescimento do motivo pelo qual ainda morrem milhões de pessoas anualmente, além do vírus: a fome. Ademais, essa foi a adversidade inspiradora dos trabalhos de Thomas Maltus no século XVIII, os quais definiam que a fome seria inevitável no mundo, uma vez que o crescimento da população acontecia em progressão geométrica, e a produção de alimentos era de forma linear. No entanto, Malthus não contava com o advento das Revolções Industriais, capazes de aumentar exponencialmente a produção de comida. O problema acontece à medida que, apesar de massiva produção, o brasileiro ainda se encontra em situação de extrema miséria e morre de fome devido à falta de responsabilidade no cumprimento das funções básicas por parte do governo.

Em primeiro aspecto, vale ressaltar que a problemática da fome se intensificou recentemente com a pandemia, mas sempre foi um elemento preocupante no país. Isso se deve ao fato de que, desde a sua formação, o Brasil foi construído sob desigualdades e fez milhões de pessoas vulneráveis no acesso às condições básicas de sobrevivência. Nesse sentido, Michel Foucalt propõe um estudo sobre as relações de biopoder: aquelas formadas ao decorrer do tempo e que são normalizadas, tratadas como orgânicas. Logo, essas relações são as responsáveis pela manutenção da fome no país, uma vez que as desigualdades são vistas como orgânicas pelo Estado (o qual não as enfrenta) e, por isso, não se manifesta no sentido de promover a melhoria na qualidade de vida de sua população.

Em segundo aspecto, um levantamento apresentado pela Comissão de Seguridade Social e Família aponta que 19 milhões de brasileiros se encontravam em situação grave em relação ao acesso à alimentação em 2020. Esse dado mostra uma falha no cumprimento das leis propostas na Constituição, como acesso à saúde, moradia e alimentação. Nesse caso, diante da atual recessão econômica, nota-se que o poder de compra do brasileiro diminuiu, e assim, ele se torna incapaz de obter por conta própria os seus direitos básicos, exigindo uma direta e imediata interferência estatal.

Diante do exposto, é possível perceber, portanto, que cabe à Secretaria Nacional de Desenvolvimento Social a criação de projetos geradores de empregos, a fim de melhorar a situação de miséria no país, extremamente ligada ao problema da fome. Isso deve ser feito aliado à expressivos subsídios financeiros, como o aumento do Bolsa Família e do Auxílio emergencial, programas criados com o intuito de promover o mínimo de dignidade às pessoas vulneráveis. Assim, seria possível sonhar com um país livre da fome, e finalmente conseguir provar que Malthus estava errado.