A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 22/09/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê a todos os cidadãos brasileiros o direito ao bem-estar e à saúde. No entanto, o que se observa é que o índice de fome e insegurança alimentar cresce cada vez mais. Nesse sentido, torna-se fundamental a discussão sobre esse problema, uma vez que essa alarmante realidade se deve à negligência estatal e à falta de empatia na sociedade contemporânea.
Primeiramente, pode-se destacar o descaso governamental como dificultador do problema. Com isso, sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os habitantes de uma sociedade democrática devem possuir a mesma importância. Contudo, uma pesquisa realizada pelo G1 aponta a desigualdade presente nos sistemas alimentares, já que o governo privilegia as áreas mais nobres em detrimento das outras. Assim, é notório o enorme desprezo e desinteresse público perante este relevante grupo social, o qual é tratado com desimportância e é impedido de usufruir de seus direitos.
Ademais, há a influência da carência de empatia, a qual atrasa significativamente a resolução do problema. Desse modo, consoante aos pensamentos sociológicos de Zygmunt Bauman, as relações sociais são efêmeras e superficiais na Era Moderna, o que torna a sociedade cada vez mais líquida e individualista. Nessa perspectiva, apesar do aumento do número de brasileiros que vivenciam a fome e a insegurança alimentar, um estudo feito pela CNN Brasil mostra que apenas 3,5% dos cidadãos praticam o trabalho e a ajuda voluntária. Logo, é perceptível que inúmeros indivíduos estão parando de sentir compaixão pelos próximos e de auxiliá-los nessa preocupante situação, o que ratifica a visão de Bauman.
Diante disso, é de extrema necessidade a adoção de medidas capazes de assegurar a solução do problema. Para tanto, é dever do Ministério da Saúde a criação de programas sociais, de modo que direcionem verbas para as regiões mais carentes e ajudem no melhoramento da condição de vida do povo brasileiro, por meio da distribuição de cestas básicas e do fortalecimento do salário mínimo, tendo como principal objetivo a diminuição do índice de fome e insegurança alimentar. Dessa maneira, será possível o pleno cumprimento da Constituição Cidadã.