A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 06/11/2021

O quadro expressionista “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no selante de um personagem envolto a uma atmosfera de profunda desolação. Fora do mundo artístico, no Brasil, o sentimento de milhares de pessoas que tiveram sua dieta afetada pela pandemia da COVID-19 é amiudadamente semelhante ao ilustrado pelo artista. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise das causas desse viés, dentre essas destaca-se a negligência governamental e a desigualdade social.

Em uma primeira análise, ressalta-se a indigência do Estado potencializa a sensação de desamparo desses indivíduos. Nesse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica teoria de Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia sem cumpriem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido a baixa atuação das autoridades no contexto de pandemia, os indíviduos em condição de subnutrição vivem sujeitos a inseguranças alimentares, fazendo com que, esses procurem de forma ilegal maneiras de se alimentarem.

Ademais, é igualmente preciso apontar a desigualde social como outro fator que contribui para a manutenção desse problema. Posto isso, de acordo com o relatório da Rede Penssam, a fome no Brasil tem cara e cor: mulheres da periferia, negras e com pouco estudo. Diante de tal exposto, nota-se que a pandemia sanitária contribuiu para o agravamento desse cenário, já que milhares de famílias perderam sua fontes de renda e tiveram que abrir mão de despesas essenciais, como alimentação. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprenscíndivel que o Poder Legislatio, crie, através de leis, programas sociais que busquem fomentar a distribuição de renda e geração de emprego. Cabe, também, ao Ministério da Educação, juntamente a instituições de ensino promover cursos que busquem capacitarindíviduos em vulnerabilidade para o mercado de trabalho, para que desse modo, não tenham dificuldades em colocar comida dentro de casa. Dessa maneira, o cenário exemplificado na obra “O Grito” não continurá a perdurar.