A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 24/09/2021

De acordo com o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, mas nossas reações a elas. Nesse contexto, com a inflação beirando os dois dígitos, os altos impostos, o desemprego e a desigual distribuição de renda na sociedade brasileira, a pandemia da Covid-19, além dos problemas sanitários, traz outro igualmente desafiador: a fome.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a subida dos preços dos alimentos não é resultado de um único fator, mas de uma sequência de ações e atitudes erradas, principalmente por parte do governo brasileiro. A desvalorização do real, produto de políticas econômicas ineficientes, por exemplo, corrói o poder de compra dos brasileiros e prejudica substancialmente as populações mais precárias, uma vez que os auxílios monetários, como o bolsa família, não sofrem reajuste à inflação. Além disso, com o real valendo menos em comparação ao dólar, há o incentivo ao comércio exterior, diminuindo a oferta no mercado interno e aumentando o preço dos alimentos.

Em segundo lugar, os altos impostos, baseados no consumo, compõem cerca de um quinto do preço dos alimentos, e o desemprego acentua cada vez mais a desigualdade social no Brasil, diminuindo a renda das famílias e o seu poder aquisitivo. Ademais, outro fator que colabora para a fome no país, é a concentração de renda e terra nas mãos de poucas pessoas, visto que a maior parte dos alimentos fornecidos ao mercado interno são produzidos em pequenas propriedades.

Dessa forma, visando solucionar a fome no Brasil, o Ministério da Economia, em conjunto com as casas legislativas, deve formular uma reforma tributária justa, que leve em consideração a desigualdade social na sociedade brasileira, por meio de uma tributação proporcional a renda e não baseada no consumo, por exemplo.