A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 24/09/2021
De acordo com o artigo 1º da Constituição Cidadã de 1988, a vida digna é um direito fundamental. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, uma vez que o cenário pandêmico hodierno agravou significativamente a questão da fome no Brasil. Isso ocorreu não só em razão da alta dos preços dos alimentos e da negligência do Estado, mas também devido ao aumento do desemprego por efeito do isolamento social. Logo, faz-se imperiosa a análise desses entraves, com o intuito de mitigá-los.
Em um primeiro plano, vale ressaltar que a pandemia do novo coronavírus gerou uma crise econômica em escala mundial, o que gerou a alta de preços dos alimentos básicos. Além disso, os programas sociais ofertados pelo Governo Federal foram insuficientes para amparar a camada mais vulnerável da população brasileira. Nesse sentido, na percepção do estado da sociedade de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progesso coletivo. Dessa forma, constata-se que o agravamento da fome está relacionada ao desamparo do Estado frente à pandemia.
Deve-se abordar, ainda, que o crescimento do desemprego causado pelo isolamento social está intimamente ligado com a questão da fome no país. Diante disso, segundo a obra “Por uma outra globalização” do geógrafo brasileiro, Milton Santos, a globalização é perversa porque há exploração do ser humano como parte do sistema capitalista vigente. Sob essa ótica, tem-se o crescimento das disparidades sociais, o que torna o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. Assim sendo, entende-se que o agravamento da fome é resultado da manutenção de uma sociedade, a qual valoriza mais a competitividade laboral em detrimento da solidariedade.
Verifica-se, portanto, que a pandemia do coronavírus intensificou a questão da fome na sociedade brasileira. Diante dessa constatação, faz-se imprescindível que o Ministério da Economia, em parceria com empresas privadas, por meio de incentivos fiscais, invista em cidades mais vulneráveis economicamente, com a abertura de fábricas, por exemplo, a fim de gerar mais empregos para a população local e atenuar a desigualdade social. Além disso, faz-se necessário que a sociedade civil em parceria com as empresas tecnológicas Facebook e Instagram, por intermédio de campanhas solidárias, propaguem ponto de oferta de alimentos, com o intuito de reduzir a questão da fome. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.