A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 28/09/2021
No livro “Cinquenta tons de cinza”, de E. L. James, o personagem Christian Grey é traumatizado na infância por ter sido privado de comida, o que afeta sua vida adulta. Com essa abordagem, a obra revela a importância da alimentação para o indivíduo. Hodiernamente, fora da ficção, em uma sociedade sofrente de impactos pandêmicos, inserida em um cenário de insegurança hídrica, a população sofre com o aumento da insegurança alimentar. Nesse sentido, a fim de mitigar os males da desnutrição e da subalimentação, faz-se necessário analisar a questão da fome em tempos de pandemia.
Diante desse panorama, vale destacar que a crise hidríca do Brasil está diretamente relacionada à transmissão da Covid-19, sendo a lavagem das mãos uma medida profilática segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e ao crescimento da fome em zonas rurais. De acordo com a pesquisa VigiSAN, quando o abastecimento de água para a produção de alimentos é irregular, dobra-se os domicílios rurais em situação de insegurança alimentar grave. Dessa forma, a falta de água para abastecimento humano tem impactos negativos sobre a população que, não podendo nutrir-se com os próprios cultivos, se vê desamparada e sem previsões de refeições adequadas.
Ademais, a pandemia mundial foi agravada pela fome crescente, principalmente na África. Porém, o Brasil não saiu ileso: mais de 50% da população se vê em algum grau de insegurança alimentar, tornando a fome algo comum, provocando pânico nos cidadãos desamparados pela constituição que prevê o direito à alimentação. Com efeito, a socióloga Hannah Arendt, em sua teoria sobre banalização do mal, diz que eventos ruins que acontecem com frequência, como é o caso de pessoas em situação de insegurança alimentar, passam a ser normalizados. Desse modo, o aumento da fome no mundo é extremamente prejudicial para os sofrentes, que tem seus direitos violados e a saúde prejudicada por um sistema que deveria protege-los.
Portanto, faz-se necessário que o Estado aumente o valor da parcela do auxílio emergêncial para o equivalente a um salário mínimo - por meio de verbas governamentais, bastando afirmar a necessidade da ajuda financeira nos sites oficiais do governo ou na prefeitura de suas cidades e apresentar comprovante de renda pessoal que confirme a indispensabilidade do auxílio - que será concedido à população, visando diminuir a porção da sociedade faminta e desnutrida e a banalização desses efeitos potencializados pela pandemia, a fim de que todos possam fazer valer o seu direito constitucional de se alimentar. Somente assim a sociedade se verá livre da normalização da questão da fome em meio pandêmico.