A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 17/11/2021
No livro “Em Chamas” da autora Suzanne Collins, o personagem Peeta Mellark descreve uma situação impactante: enquanto alguns comem de forma exagerada, outros não possuem o que comer. Fora da ficção, a realidade não é diferente, visto que a questão da fome no Brasil, principalmente em tempos de pandemia, apresentou um aumento preocupante nos últimos anos. Isso ocorre tanto pela desigualdade social, quanto pelo descaso do Governo.
Sob esse viés, apesar do Brasil ser um dos maiores exportadores de produção agrícola do mundo, segundo a ONU, a quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar quase dobrou nos últimos dois anos, principalmente em decorrência da pandemia. Esse empecilho é consequência da concentração desigual de riquezas e da injusta estrutura fundiária, onde uma pequena parte da população possui melhores condições de acesso a alimentos, em detrimento da maior parte que possui dificuldades de se alimentar de forma básica.
Ainda nesse contexto, a desconsideração do Governo e a instabilidade política impedem que o problema possa ser resolvido, pois este depende de uma redistribuição de terras e renda, diferente dos programas sociais que funcionam a curto prazo, como o Bolsa Família.
Infere-se, portante, que medidas são necessárias para diminuir os impactos da fome no Brasil. O Governo Federal e os governos estaduais devem realizar um projeto objetivando uma reforma agrária no país, por meio do confisco e redistribuição de terras não utilizadas para pequenos agricultores, a fim de diminuir a desigualdade social e incentivar a produção de alimentos. Além disso, cabe às organizações não governamentais distribuir cestas básicas para as pessoas que se encontram em insegurança alimentar, através de doações, de forma a amenizar a situação. Somente assim, a questão da fome deixará de ser um problema urgente e situações como as presenciadas no livro “Em Chamas” serão menos frequentes.