A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 28/09/2021
O filme “O poço”, produzido pela Netflix, retrata um cenário fictício, no qual, existe uma prisão construída verticalmente, onde se passa um elevador em seu centro carregando comida, no decorrer do filme, o público pode observar que apesar de haver comida para todos, os detentos em níveis superiores consomem uma maior quantidade, deixando os abaixo sem alimento. Em paralelo ao universo cinematográfico, a realidade brasileira vivência um problema semelhante, a má distribuição alimentícia deixa as camadas sociais mais baixas da população assoladas pela fome. Portanto, torna-se necessário reconhecer as causas dessa óbice, que se agrava devido à questão do consumismo atrelado ao desperdício e, também, as precárias políticas de combate à falta de alimento na mesa de brasileiros.
Em primeiro plano, vale ressaltar que atualmente o consumo descomedido apresenta-se incluso na cultura brasileira. Essa perspectiva é analisada sob a ótica dos pensadores de Frankfurt, que, ao interpretarem a indústria cultural, notaram que essa é responsável por transformar a cultura num produto, aliando o capitalismo à arte, de forma que objeto artístico tornou-se um meio para gerar uma atração do público em relação ao produto. Nesse sentido, percebe-se que a indústria alimentícia usa dessa alienação para conquistar o consumidor, fazendo-o consumir a sua mercadoria excessivamente. Dessa maneira, observa-se que o aumento do consumo é diretamente proporcional ao aumento do desperdício de alimentos.
Em segundo plano, vale ressaltar que as políticas públicas brasileiras têm falhado com a população, os programas para tentar combater a fome não apresentam resultados positivos, principalmente durante o ano pandemico, no qual, o índice de cidadãos famintos aumentou. Esse cenário está relacionado a obra “O príncipe”, escrita por Maquiavel, na qual o escritor cita que uma das formas de um governante se manter no poder é sendo considerado legítimo, ou seja, mantendo os seus interesses alinhados ao da população. Dessa forma, pode ser percebido que a ineficiência estatal em combater a fome, é fruto da eleição de administradores ilegítimos. Logo, para impedir o agrave do problema é necessário eleger políticos competentes.
Conclui-se que, diante dos fatos mencionados, torna-se notório o problema da fome e seus agravantes para a sociedade. Portanto, faz-se necessário que o governo federal, mediante a Companhia Nacional de Abastecimento, promova a redistribuição de alimentos, por meio de estudos para identificar o necessário consumido por cada família, assim, evitando desperdícios e amparando os grupos de baixa renda. Nesse sentido, o intuito de tal medida é atenuar a questão da falta de alimentos para alguns indivíduos, podendo até erradicar a óbice da sociedade brasileira.