A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 29/09/2021

Hannah Arendt, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, desenvolveu o conceito “banalidade do mal”, cuja principal característica é a substituição da normalidade pela calamidade. Seguindo o pensamento arendtiano, é notável que a questão da fome, em tempos de pandemia, é uma adversidade que se transmudou em banal. Á vista disso, com o objetivo de revogar esse processo, é necessário analisar a conduta estatal e social.

Antes de tudo, é relevante abordar que o descaso do poder público na administração das cidades ocasiona uma antidemocracia do artigo 6°, que garante, entre outros direitos, o acesso à alimentação. Para entender tal apontamento, segundo o livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, é preciso considerar que a vida em áreas urbanas se desenvolveu de forma não planejada, com herança de uma sociedade oligárquica, e, assim, mostra que as virtudes da Carta Magna abrangem apenas os indivíduos mais abastados, não incluindo as camadas menos favorecidas, que, consequentemente, são mais vulneráveis à falta de alimentos na pandemia.

Paralelo a isso, ainda, é necessário ressaltar que a carência de participação social, também, contribui para a questão da fome na pandemia. Na iminência de justificar tal observação, é válido relembrar o pensamento positivista, de Auguste Comte, no que refere à sociedade como um organismo biológico, que é desenvolvido pela coletividade. Sob esse viés, é nítido afirmar que a falta de manifestações populares — com o intuito de evidenciar a problemática — mostrou o forte individualismo presente na sociedade e o decaimento da comunidade, sendo incoerente com o raciocínio proposto por Comte.

Depreende-se, portanto, a relevância de amenizar o imbróglio, seguindo o pensamento de Karl Marx, filósofo alemão, quando diz que não basta pensar, é necessário agir. Para que isso ocorra, o Governo Federal, em parceria com os municípios, deve corrigir os problemas estatal e social, por meio de fiscalização bimestral, em todo o território brasileiro, para averiguar o cumprimento do artigo 6º. Além disso, é necessário palestras, quinzenais, em locais públicos das cidades, com o intuito de evidenciar as consequências da manifestação. Espera-se, com isso, a atenuação da fome na pandemia, tendo efeito, a médio e longo prazo, no Brasil.