A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 14/10/2022
Para o filósofo Jean Sartre, o homem está condenado aos seus direitos de maneira irrestrita - a citar, o direito à alimentação adequada. No Brasil atual, porém, observa-se que a ideia do pensador é falha quando se coloca em foco a questão da fome nos tempos de pandemia de COVID-19. Agravada pelo desemprego e aumento de preços de produtos gerados por esse contexto, a insegurança alimentar ganhou um quadro urgente que clama por soluções.
De início, é notório o impacto que a pandemia teve no aumento do desemprego - especialmente entre as camadas mais pobres. No livro “Quarto de Despejo”, a autora Carolina Maria de Jesus relata seu dia a dia como coletora de papéis nas ruas e seu ressentimento quando não podia sair para trabalhar. Analogamente, essa foi a realidade de muitos brasileiros de baixa renda em 2020, que se viram impossibilitados de ganhar dinheiro devido à paralisação de suas atividades pelo medo do contágio do coronavírus. Assim, sem lucro para comprar comida, essas pessoas caíram em um cenário de fome mais grave do que aquele que já viviam.
Ademais, outro impasse foi o aumento dos preços de produtos, causado pela inflação que surgiu com a crise econômica global da pandemia. De acordo com uma matéria publicada no portal G1, o valor do arroz duplicou e o do feijão aumentou em 71%. Dessa forma, com os alimentos mais caros, o poder aquisitivo da população como um todo diminuiu - contribuindo, então, para a intensificação da fome entre as famílias brasileiras.
Portanto, faz-se evidente a necessidade de medidas para reverter tal situação. ONGs, em parceria com mercados voluntários, devem promover o acesso a alimentos básicos para a população de baixa renda, por meio da distribuição de cestas alimentares - adiquiridas por doações dos comércios e fundo financeiro da organização - para que essa parcela mais vulnerável do corpo social atinja uma maior segurança alimentar. Ademais, cabe aos órgãos fiscalizadores do governo garantir a concessão efetiva bolsas de auxílio financeiro em comunidades. Desse modo, o Brasil poderá caminhar para a universalidade irrestrita de direitos, descrita por Sartre.