A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 03/10/2021

O livro “Vidas Secas” narra a história de Fabiano e sua família em meio a seca que assombrava o nordeste no século XX. Na obra, Fabiano e seus familiares vivem na pobreza total e com isso a fome era uma situação recorrente na casa do protagonista. De maneira ánaloga ao romance de Graciliano Ramos,  a questão da fome nos tempos da pandemia, no Brasil, ainda enfrenta problemas no que diz respeito ao número cada vez mais exorbitante de pessoas em meio a essa proplemática realidade. Assim, é lícito afirmar que a postura de negligência do Governo e da sociedade, contribuem para a perpetuação desse cenário nocivo.

Mormente, nota-se, por parte do Governo, a ausência de políticas públicas efetivas capazes de assegurar o direito, previsto na Constituição Federal, a alimentação a toda à população. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Cidadania exerce na administração do país. Criado para garantir a inclusão e assistência social, tal órgão ignora ações que poderiam erradicar a fome de milhares de famílias brasileiras em meio a pandemia mundial. Dessa forma, o Estado atua como perpetuador do processo de exclusão da população mais carente a esse tipo de necessidade básica. Logo, é substancial uma reviravolta desse quadro.

Outrossim, é imperativo pontuar que, a sociedade civil, sobretudo a mais afortunada, contribui para o processo de potencialização da fome do contexto pandemico brasileiro. Isso decorre, principalmente , da postura hierarquizada de parte da população, que visando apenas a própria realidade descartam refeições em bom estado de consumo, em detrimento do impacto socioestrutural que a desnutrição e a pandemia causam na realidade dos brasileiros. Nesse sentido, há, de fato, uma postura elitista advinda de parte da comunidade, que em muitas vezes desperdiçam toneladas de alimentos todos os anos. Consequentemente, a população de baixa renda fica impedida de ter acesso ao sustento diario.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para facilitar a ingressão da parecela mais pobre da comunidade aos meios de nutrição básica em em cenário pós-pandemia. Posto isso, o Estado deve por meio de um amplo debate com a população civil, ONG´s e empresas do setor alimentício, desenvolver um novo Plano Nacional de Introdução Alimentar para Famílias Carentes, a fim de fazer com que o maior número de cidadãos brasileiros possam ter acesso a alimentação. Tal plano deverá focar em distribuir certo percentual de alimentos para pessoas de baixa renda que foram afetadas pelo COVID-19. Ademais, a sociedade deve, mediante incentivos e propagandas do governo, diminuir o desperdicio alimenticío diário. Dessa, forma a situação vivênciada na obra “Vidas Secas” poderá ser cada vez menos vizualizada na realidade do povo brasileiro.