A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 20/11/2021

Embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegure o bem-estar e saúde como direito de todo ser humano, percebe-se que, no mundo atual não há cumprimento de tal garantia, principalmente no que se diz respeito a alimentação. Isso acontece devido a um dos principais frutos do capitalismo, a desigualdade social, e com ela surge a fome, um dos maiores desafios da humanidade e que teve um aumento significativo em tempos de pandemia.

Primeiramente, vale ressaltar que a fome sempre se fez presente na sociedade e sua causa não se deve a falta de alimentos, e sim a má distribuição de renda, ela e a pobreza andam lado a lado. Nesse contexto, é possível afirmar que a falta de ação governamental e as crises de desemprego agravaram o problema. Segundo dados do IBGE, no ano de 2019, a taxa de desemprego atingiu 11,6 milhões de pessoas naquele ano, já no ano de 2021 esse índice atinge cerca de 14,1 milhões, em decorrência disso, milhares de pessoas foram submetidas à condições extremamentes difíceis, sem saber o que vão comer no dia seguinte e até mesmo perdendo suas moradias, como é retratado no filme “À Procura da Felicidade” onde Chris, personagem principal, perde seu emprego e seus problemas financeiros pioram cada vez mais, fazendo com que ele e seu filho passem por diversas dificuldades.

Paralelo a isso, é possível afirmar que o aumento da crise de desemprego durante a pandemia de Covid-19 é uma justificativa do aumento da insegurança alimentar dos brasileiros, que dois anos atrás atingiam dez milhões de pessoas e hoje passou para dezenove. Além disso, o aumento dos preços dos alimentos básicos da refeição brasileira, como o arroz que ficou 56% mais caro, tem levado diversas famílias a cenas lamentáveis, como ficar em filas esperando doação de ossos, caso que ocorreu na cidade de Cuiabá. Diante desse cenário, o Estado da Segurança Alimentar e Nutricional do Mundo estima que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (Fome Zero até 2030) não será alcançado com efetividade, e uma parte pode estar ligado aos efeitos duradouros da pandemia.

Fica claro, portanto, que a questão da fome se agravou muito em tempos de pandemia.  Assim, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, responsável  por implementar e assegurar os direitos humanos no Brasil, crie programas de combate a fome, por meio de campanhas de doações de cestas básicas e parcerias com restaurantes populares. Espera-se, com isso, que todos aqueles em situações mais vulneráveis tenham direito a sua alimentação, de modo que se cumpra o que foi estabelecido na Declaraçao Universal dos Direitos Humanos.