A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 06/10/2021

A presença contínua da fome

O poema " o bicho", escrito pelo autor pernambucano Manuel Bandeira, tece uma dura crítica social à realidade brasileira dos anos quarenta. Concisa, a obra traz um registro da fome e da miséria humana. Fora da arte, a questão da fome se perpetua no Brasil em tempos de pandemia, refletindo a fragilidade de políticas públicas e a desigualdade social do país.

Ainda que seja reforçada a necessidade da criação de políticas de apoio às populações carentes, a execução se mostra ainda deficitária e excludente. Em 2020, por exemplo, com o desemprego em massa e a alta nos preços dos insumos, foi criado o auxílio emergencial, que previu o repasse de 600 reais mensais a trabalhadores informais e de baixa renda. Contudo, em menos de 2 meses, a Polícia Federal apurou fraudes no suporte financeiro, principalmente ao uso de dados documentais, dificultando, assim, o acesso aqueles que o utiizavam como única fonte de renda.

À medida que as poíticas públicas são fraudadas, é reforçada, progressivamente, a desigualdade social, já que, em um cenário pandêmico, as pessoas vulneráveis sentem de forma mais abransiva o impacto da economia em suas vidas. Dezenas de moradores de Cuiabá (MT) exemplificam a situação, ao aglomerarem em frente aos açougues para receber ossos e carne, a fim de controlar a penúria.

Em suma,  a questão da fome em tempos de pandemia fortalece a necessidade de discussão e elaboração de propostas que revertam o quadro. Cabe ao Governo Federal, em parceria ao Ministério da Cidadania criar um sistema de segurança de dados que exija duas etapas de verificação das informações pessoais e a identificação facial no aplicativo, de forma a garantir o pagamento a quem tem direito e evitar fraudes. Assim, com a oferta correta desse benefício, o impacto econômico das medidas de isolamento social diminui e as políticas públicas passam a serem vistas com mais credibilidade.