A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 06/10/2021
Os antológicos versos do Hino Nacional Brasileiro “Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada Brasil!” entoam como símbolo pátrio na vida dos cidadãos deste país e lançam luz sobre o processo de civilidade a ser vivenciado por todos. Não obstante, tal propósito destoa da desoladora realidade vivida por milhares de cidadãos brasileiros no contexto da presente pandemia da Covid-19, que agravou a fome no Brasil, como resultado da prevalente educação disfuncional e, ainda, do menosprezo público, os quais configuram uma lesiva afronta aos preceitos democráticos. Logo, torna-se necessário o debate acerca desse profundo retrocesso social, a fim de instaurar a efetiva harmonização nacional.
Faz-se relevante, a princípio, reconhecer que, muito embora o fomento à segurança alimentar seja garantia fundamental para assegurar a vida digna, pragmaticamente, vislumbra-se o rotineiro infringir desse princípio legal assegurado pela Constituição Cidadã. Atesta-se, nesse viés, a disfuncionalidade de práticas pedagógicas de estímulo à redução das desigualdades sociais - procedimento contrário às lições freirianas apregoadas em “Pedagogia da Autonomia”, conforme as quais a práxis educacional deve impulsionar a educação emancipatória. Tal cenário de omissão, associado à pandemia, colabora, pois, para a vulnerabilidade da população mais pobre ao acesso à nutrição.
Além disso, é relevante pontuar a agonizante negligência política e governamental quanto a viabilizar ações funcionais de combate à fome e à miséria no Brasil - exemplifique-se as filas em açougue de Cuiabá para conseguir restos de ossos. Diante desse lamentável despropósito, analisa-se a consolidação do conceito de “sociedade de papel”, do renomado Gilberto Dimenstein, uma vez que se preconiza, em teoria, artifícios para estimular a segurança alimentar, mas, na prática, a letargia pública em concretizá-los. Provoca-se, dessa forma, o sombrio aumento da fome, uma afronta ao Estado Democrático de Direito e ao progresso do país.
Fica clara, tão logo, a urgência de medidas incisivas a fim de minimizar essa vergonhosa problemática. Por conseguinte, compete aos ministérios da Educação e da Cidadania, bem como às ONGs, amplificar a interação entre escola e comunidade e revitalizar os auxílios que protegem o brasileiro da fome. Esses objetivos podem ser alcançados por meio da criação de projetos de extensão, como hortas comunitárias e cursos capacitatórios em parceria com o SEBRAE e os Institutos Federais, e também da expansão dos restaurantes populares. Tais intervenções colaborarão, certamente, para que o Brasil exerça os ideais impressos em seu ilustre Hino Nacional.