A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 06/10/2021

Na obra pré-modernista “Triste fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. De literatura à realidade, contudo, ao observar a questão da fome em tempos de pandemia, -ainda que seja uma questão de grande valor– percebe-se que esse assunto possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relacionado a essa problemática, é importante analisar a negligência estatal e a falta de cidadania.

A priori, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como a alimentação. No entanto, é evidente que isso não acontece no Brasil, pois, dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, indicam que no terceiro trimestre de 2020, 19 milhões de brasileiros passaram fome, tal dado evidencia a precariedade de políticas públicas acerca desse âmbito. Assim, a ineficácia estatal fere os princípios pontuados por Rawls e ao mesmo tempo, dificulta a universalização da alimentação aos brasileiros.

Outrossim, aluda-se ao pensamento de Tancredo Neves, “a cidadania não é uma atitude passiva, mas ação permanente, em favor da comunidade”. Sob essa perspectiva, elucida-se a falta de cidadania como motivador da fome, na qual, a desigualdade social também está concatenada, pequena parte da população usufrui de alimentação farta,e parcela disso ainda é desperdiçada, enquanto grande parte da população não tem o que comer. Dessa forma, não é inesperado que o Brasil, –apesar de almejar formar-se nação desenvolvida– persista em não valorizar a alimentação de modo benevolente.

Dessarte, fica evidente que nem todos têm direito ao alimento. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, -órgão responsável pelo alimento dos brasileiros- por meio de projetos, garantir à população que tenham refeições dignas, criando políticas públicas que universalizem esse bem, a fim de que a fome seja erradicada do país. Em vista da concretização dessas ações, a sociedade se aproximará da idealização do Policarpo.