A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 06/10/2021
Desde o início da pandemia de COVID-19, têm-se visto crescer rapidamente o valor da comida nos mercados brasileiros, fato que teve origem, segundo o jornal G1, na valorização do dólar, gerando aumento nas exportações e falta de abastecimento interno. Em consequência disso, grande parte da população, principalmente a parcela mais pobre, têm perdido o acesso aos principais componentes da alimentação no Brasil: Feijão, arroz e carnes, gerando insegurança alimentar. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Economia tome medidas para forçar o aumento da oferta de alimento dentro do território, a fim de regular o preço dos produtos de consumo essencial.
Partindo de uma análise econômica, a principal razão para o aumento no preço dos alimentos, no Brasil, surge de um aumento nas exportações incentivado pela valorização do dólar em relação ao real, beirando os R$6,00 em algumas casas de câmbio. Nesse seguimento, segundo o G1, alimentos como a carne, o arroz e o feijão têm acrescido de valor no mercado externo para o produtores brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus, visto que se torna mais benéfico vender o produto em moeda estrangeira na atual situação. Esse crescimento na evasão de comida do país gera desabastecimento na oferta interna e grande inflação, que chega a ultrapassar 17,6% no preço da carne de boi entre 2020 e 2021 segundo o Estadão.
Essa situação, iniciada durante a pandemia de COVID-19, precisa ser regulada com urgência, pois, segundo a rede Penssan, já é mais de 50% da população brasileira que sofre com a insegurança alimentar, chegando a ser de moderada a grave em até 16% dela. Nesse sentido, o Ministério da Economia tem o dever de tomar medidas econômicas para manter os produtos alimentícios mais importantes dentro do país, a fim de aumentar a oferta. Assim, produtos bastante proteicos, como carnes e leite, e calóricos, como o trigo e o arroz, devem ser os principais atingidos por medidas protecionistas, por serem ricos em macronutrientes recomendados pela Organização Mundial da Saúde, por serem importantes para o crescimento e na produção de energia do organismo.
Tais medidas podem ser constituídas por novas taxas de exportação ou um aumento nas taxas já existentes sobre os produtos descritos, além da diminuição ou extinção temporária dos tributos sobre os mesmos, a fim de incentivar o abastecimento dos mercados brasileiros e permitindo os preços desvalorizarem. Não obstante a queda nos preços da comida e consequente diminuição da insegurança alimentar, essas ações também dariam um perfil mais coerente ao papel do Brasil no mapa da fome, pois nada mais justo que num dos países que mais produzem alimentos no mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional, sua população não viva com a falta deles.