A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 20/10/2021

O filme “O poço” traz um cenário fictício onde os indivíduos tem o quantitativo de comida que irão ingerir(ou não) definido pelo “andar” que forem destinados. Longe do viés cinematográfico, e adentrando-se a realidade dos brasileiros na pandemia, verifica-se a permanência da insegurança alimentar, vivenciada pelos personagens. Nesse sentido, é válido ressaltar o crescimento da fome no Brasil durante a pandemia do coronavírus, bem como a inoperância governamental no que diz respeito a manutenção dos índices de segurança alimentar dos nativos.

Pontua-se, em uma análise inicial, que o acréscimo no número de brasileiros afetado pela escassez de alimentos diários tornou-se maior durante o período de pandemia. Isso porque, segundo a ONU(Organização das Nações Unidas), cerca de 10 milhões de brasileiros encontram-se em situação de insegurança alimentar no país,ou seja, não conseguem assegurar a sua família a existência das próximas refeições. Ademais, aproximadamente 3 milhões desses brasileiros entraram nesse cenário durante o início da pandemia. Sob essa ótica, é concebível observar, como consequência, dessa conjuntura preocupante a quebra dos “direitos naturais” narrados pelo filósofo empirista John Locke, direitos esses que asseguram a todo indivíduo o direito à vida.

Nota-se, em paralelo a isso, a deficiência estatal em garantir a manutenção dos indíces de nutrição alimentar dos brasileiros,uma vez que o Brasil voltou ao mapa da fome, no ano de 2019. Tal termo refere-se ao fato de que cerca de 5% da população nacional encontra-se em situação de pobreza extrema (expressão que desgina uma conjuntura onde as pessoas não veem satisfeitas as necessidades básicas à sua sobrevivência, como a alimentação diária). Por conseguinte, verfica-se o não cumprimento da Constuição de 1988 por parte do Estado quando diz que  " deve assegurar a todo cidadão o direito à vida", bem como a repetição de um ciclo mortal que havia sido erradicado no ano de 2014, tal como pressupôs o compositor Cazuza em sua música “o tempo não  para” quando expõe : " eu vejo o futuro repetir o passado".

Urge,portanto,que para a mitigação da fome ampliada pela pandemia do coronavírus, o Governo Federal, com o auxílio do Ministério Agricultura, em parceria com Governadores e prefeituras municipais, deve criar e ampliar o número de restaurantes populares existentes nas cidades brasileiros (mediante o auxílio de secretarias municipais de ação social e nutricionistas contratados) com o intuito de assegurar (no mínimo) as refeições principais aos moradores de baixa renda afetados pela pandemia mundial, a fim de que “o poço” seja apenas pauta cinematográfica e não da realidade do nativo.