A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 11/10/2021

A obra do poeta repentista, Bráulio Bessa, “A origem da fome” traz uma reflexão sobre a fome em forma de cordel, mostrando a dureza de enfrentar à mesma e tentando entender o que a ocasiona. Nesse contexto, é nítido perceber que, infelizmente, a realidade de grande parte da população brasileira e do mundo é a mesma evidenciada no poema. Tal fator é decorrente de desigualdades e vem se agravando ainda mais na pandemia gerando sérias consequências sociais.

A priori, a fome está presente em indivíduos subnutridos e é latente nos países em desenvolvimento. Nesse cenário, tem-se o professor brasileiro, Josué de Castro, que pesquisou os problemas da fome e da miséria no Brasil, e em sua obra, “Geografia da fome”, diz: “A fome não é um fenômeno natural. É um fenômeno social, produto de estruturas econômicas defeituosas”. Nessa linha de pensamento, tal problemática é causada por desigualdades como a pobreza, deficiência na distribuição de alimentos devido à falta de variedades, quantidade e qualidade, principalmente nas áreas rurais em que a infraestrutura é precária e a conexão com os centros urbanos é difícil, além do desperdício de alimentos.

A posteriori, perturbadoramente, a fome se agravou na pandemia. De acordo com um levantamento realizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2020 mais de 2,3 bilhões de pessoas (30% da população global) não tiveram acesso à alimentação adequada durante todo o ano. Essa situação trouxe desagradáveis resultados sociais, como a desnutrição, sobretudo em crianças, danos a longo prazo para a saúde da população, aumentando a probabilidade de adquirirem doenças, desenvolvimento físico e mental prejudicados, além de mortes e instabilidade política, dificultando cada vez mais os esforços dos Estados em reduzir a pobreza.

Em vista dos fatos apresentados, é notório que essa realidade precisa ser mudada. Sendo assim, uma solução viável seria o combate à pobreza e as desigualdades estruturais, por meio do estímulo de cadeias de valor de alimentos em comunidades pobres por meio de transferências de tecnologia e programas de certificação. Além disso, a mídia pode fazer campanhas na internet contra o desperdício de alimentos por meio de publicações chamativas e apelativas, a fim de convencer a população do consumo consciente. Tais alternativas ajudam a combater os determinantes da fome e a má nutrição.