A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 10/10/2021

Na segunda metade do século XX ocorreu a revolução verde, na qual houve o aumento e a modernização da produção agrícola com o objetivo de acabar com a fome mundial. Não é difícil perceber, contudo, que essa meta não foi alcançada, uma vez que muitos países, a exemplo do Brasil, ainda sofrem com o problema da fome, principalmente nos tempos de pandemia. Logo, urge análise acerca dos impactos da pandemia em relação á desigual distribuição de alimentos no Brasil.

Em primeira análise, é indubitável que influencias históricas estão entre as principais causas do problema. De fato, o desenvolvimento dos meios de cultivo aumentou a produção de alimentos através da Revolução Verde, no entanto, simultaneamente a esse feito, ocorreu o progresso do agronegócio, que baseia-se, fundamentalmente, na exportação desses produtos, deixando a cargo da agricultura familiar a distribuição interna de alimentos, e essa, muitas vezes, não consegue abastecer todo o país. Partindo do Procedimento Genealógico de Nietzsche, entende-se que a problemática da fome é derivada de construções passadas. À vista disso, a cultura enraizada do agronegócio com enfoque para a exportação efetiva a fome de parcela da população.

Em segunda análise, é necessário ressaltar que em um contexto de crise econômica propiciado pela pandemia do Covid-19, a problemática da fome no brasil tende a aumentar. O levantamento mais recente da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) realizado em dezembro de 2020, indica que 19,1 milhões de cidadãos brasileiros passam por situação de insegurança alimentar, 9 milhões a mais do que na última pesquisa realizada no ano de 2018, antes do cenário pandêmico. Dessa forma, a crise do Coronavírus gerou graves consequências na questão da fome do país.

Depreende-se, portanto, que o problema em voga é bastante grave e deve ser resolvido para que o Brasil não volte a participar do mapa da fome. Em um primeiro plano, organizações não governamentais poderiam pressionar o Estado a sobretaxar os grandes exportadores de alimentos para que parte da produção fique no brasil, de forma a complementar a oferta de alimentos advinda da agricultura familiar e impedir a escassez alimentícia. Ademais, cabe ao Ministério da Cidadania, em conjunto com Organizações da Sociedade Civil, realizar programas, como o auxílio emergencial e o bolsa família, que protejam a população da pobreza alimentar através da nutrição essencial à sobrevivência humana a todos os necessitados, tendo por finalidade a atenuação da crise a qual o país enfrenta. Assim, o aumento da fome provocada pela pandemia poderá ser um processo reversível.