A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 09/10/2021
Durante a Peste Negra, pandemia quase global que dizimou dois terços da Europa, a questão da fome foi um fator agravante para a vulnerabilidade física, por conta da desnutrição. Analogamente, a pandemia da COVID aumentou os índices de pessoas sofrendo com escassez de alimentos levando milhares a obto não por contaminação, mas por fome. Nesse sentido, é importante analisar a relação dos modais de transporte brasileiros e esse problema, bem como a falta de comida como contrária a um direito legal.
É notório que, a falta de investimento em modais de escoamento alternativos corrobora para o agravamento da fome no Brasil. Segundo dados do IBGE, cerca de 80% do transporte de alimentos é feito em rodovias por carretas e caminhões. Nessa perspectiva, as limitações que a pandemia provocou, como redução de operários em serviço e frequentes quarentenas, somadas a lentidão desses automóveis em relação a outros como aviões, resulta em uma demora para distribuir suprimentos. Por fim, essa fatalidade deixa cidades inteiras sem estoque de comida por muitos dias e até semanas.
Além disso, a escassez de alimentos é um descumprimento estatal de leis brasileiras. De acordo com a Constituição de 1984, todo cidadão tem o direito à saúde e bem estar. Nessa perspectiva, o fato de haver milhares de pessoas passando essa necessidade é contrário à constituição, visto que a fome frequente leva a desnutrição, e consequentemente afeta o funcionamento dos sistemas fisiológicos contribuindo para o desenvolvimento de doenças. Em suma, a questão da demora em distribuir comida pelos modais rodoviários contribui para o agravamento da fome que é um descumprimento de leis do próprio governo.
Conclui-se, portanto, que algo precisa ser feito acerca da fome em tempos pandêmicos. Para isso, o Governo Federal, elemento mais capacitado e responsável por resolver problemáticas imediatistas e sociais como a fome, precisa investir na atualização dos modais de escoamento brasileiros, por meio da mudança de parte significativa do modal rodoviário pelo aéreo que apesar de desvantajoso quanto a quantidade, compensa com a rapidez das entregas. Ademais, é importante distribuir cestas básicas aos que não conseguem comprar alimentos. Assim, será possível diminuir a fome no Brasil, e evitar mortes por desnutrição como ocorreu durante a Peste Negra.