A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/10/2021

Thomas Malthus, economista britânico do século XIX, atrelava a futura indisponibilidade de alimentos ao elevado crescimento populacional. Contudo, com essa análise, o teórico ignorava os avanços tecnológicos desenvolvidos no período, bem como a má distribuição de renda no sistema capitalista. Na atualidade, a fome ainda é uma questão problemática e intensificou-se com a pandemia do covid-19 por motivos de políticos e econômicos, demandando soluções efetivas.

Nesse contexto, cabe pontuar o papel do Estado entre as causas do problema. De acordo com o filósofo John Rawls, um governo ético preocupa-se com a desigual distribuição de recursos e oportunidades, buscando sempre compensar as disparidades sociais. Com isso, percebe-se que as autoridades políticas mundiais destoam do ideal supracitado, haja vista que os programas assistencialistas estabelecidos para o combate à fome mostram-se insuficientes. Dessa forma, o baixo poder aquisitivo de grande parte da população somado às altas taxas de desemprego causadas pelo corona-vírus, gerou novos níveis de pobreza e insegurança alimentar, sobretudo nos países periféricos, mais vulneráveis socioeconomicamente.

Ademais, destaca-se o preço dos alimentos na conjuntura em questão. Segundo Max Weber, ação social é uma conduta que, condicionada pelo contexto histórico, também influencia coletivamente o meio em que se insere. Nessa perspectiva, a questão da fome em tempos de pandemia pode ser encaixada na perspectiva do sociólogo, uma vez que agravou-se com o aumento no preço dos combustíveis - sensível às alterações do mercado - elevando os custos dispendidos com a logística de entrega. Por conseguinte, o preço final dos alimentos aumentou, o que estimulou sua substituição por outros de menor qualidade ou ainda, de forma mais drástica, inviabilizou seu consumo por grande parte da população.

Entende-se, portanto, que a problemática da fome no cenário de pandemia mundial tem como causas a acentuada desigualdade econômica e as insuficientes ações para controlar o preço dos alimentos. A fim de atenuar o impasse, os líderes mundiais, junto ao corpo burocrático que os sustentam, podem, por meio de subsídios estatais, financiar parte do agronegócio de seus países, compensando alterações nos preços finais dos alimentos básicos necessários à uma refeição completa como grãos, carnes e verduras. Além disso, os governos podem também oferecer auxílios econômicos enquanto medida emergencial para garantir o sustento alimentar de famílias mais pobres. Dessa forma, com base na teoria de Rawls, o desigual acesso aos alimentos em tempos de pandemia será gradativamente minimizado.