A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 14/10/2021

Na animação “Tá chovendo Hambúrguer”, da Sony Pictures, é relatada a história de um inventor que, por acidente, lança uma máquina de comida recém-criada ao céu, fazendo chover diversos tipos de alimentos. Todavia, fora da ficção a alimentação de muitas famílias brasileiras é muito mais complexa, uma vez que, para sobreviverem em um país extremamente desigual, batalham contra a falta de apoio governamental e, ao mesmo tempo, poucas oportunidades de transformar sua realidade, agravada pela pandemia.

Nesse contexto, a falta de engajamento do Estado em auxiliar cidadãos que passam por necessidades de subsistência, já era preocupante antes da pandemia, logo, esse novo contexto social acentuou o impacto da fome no cenário nacional. Segundo dados da Rede Pessan (Rede de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), o Brasil teve um acréscimo de 9 milhões de pessoas no quadro de insegurança alimentar, a sondagem inédita estima que mais de 55% dos lares brasileiros tiveram impossibilidade de alimentação durante o ano de 2020. Desse modo, crianças e adolescentes que travam uma batalha árdua contra a pobreza buscam enfrentar um dia de cada vez, acreditando que a noite, possivelmente, terão um prato de comida para comer.

Não somente os alimentos são escassos para esses indivíduos, mas também, as chances de buscarem soluções e obterem uma melhor perspectiva de vida. Assim, sofrendo com uma desigualdade de possibilidades que perdura no Brasil desde os tempos de escravidão, os moradores das mazelas encontram-se reféns da solidariedade de organizações beneficentes. Desta forma, consoante ao filosofo grego Aristóteles “A igualdade surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em um certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si”. Por conseguinte, a falsa crença de que ter uma remuneração garante alimentação, ofusca a verdade preocupante de famílias que passam por necessidades.

Portanto, medidas cabíveis devem ser tomadas com máxima urgência pelo Governo Federal, começando por um plano de metas através do Ministério da Economia para erradicar a pobreza, tal como distribuição de cestas básicas mensais para pessoas carentes, manutenção do bolsa família e ampliação da educação com a construção de novas escolas. Outrossim, aliado ao Ministério da Economia o Ministério do Trabalho deve buscar parcerias com empresas do setor privado e promover a criação de sedes administrativas em áreas de extrema pobreza, onde é possível homens e mulheres desempregados informarem seus dados e terem prioridade de vagas de emprego de acordo com a sua necessidade. Assim, a fome será um problema a menos frente á pandemia.