A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 13/10/2021

No livro “Quarto de Despejo”, a catadora Carolina Maria de Jesus sofria de insegurança alimentar, ou seja, não tinha garantia se iria ter comida para sua família. Ao sair do universo literário, a realidade brasileira se aproxima muito com a obra de Carolina. A situação de insegurança alimentar e fome aumentou drasticamente nos últimos anos, sendo intensificada ainda mais pela pandemia da Covid. A partir desse contexto, é válido discutir como a pandemia afetou a vida alimentar dos brasileiros, bem como o principal motivador dessa questão.

Com efeito, é fundamental entender que, por causa da pandemia, as zonas de invisibilidade se multiplicaram, isto é, as camadas mais pobres da sociedade foram as mais afetadas pela situação pandêmica. Tal questão ocorre, de acordo com o sociólogo Boaventura de Sousa Santos em seu livro “A Cruel Pedagogia do Vírus”, devido o Brasil ser um país com uma mentalidade colonialista e capitalista, a qual busca crescer a qualquer custo. Sendo assim, a má gestão na pandemia agravou a precária situação da classe trabalhadora, pois, além do aumento dos preços dos alimentos, a necessidade de ficar em casa afetou negativamente os autônomos. Dessa forma, fica nítido o porquê do Brasil, segundo a ONU, ter voltado para o mapa da fome.

Convém pontuar, ainda, que a mercantilização de produtos essenciais é um dos motivos para o aumento da fome no Brasil. Isso acontece, pois a má administração governamental não desenvolveu projetos eficientes para lidar com a situação do vírus, então aumentou o preço dos alimentos, que são produtos essenciais, para suprir na ineficiência do governo. Essa questão fica ainda mais esclarecida ao se observar a Finlândia que ficou, pelo quarto ano seguido, em primeiro lugar no Ranking de Felicidade da ONU, graças à sua excelente gestão na pandemia, diferentemente do que acontece no Brasil, que é um país com recursos, mas não consegue sequer vacinar sua população, principalmente, no Norte e Nordeste.

Portanto, percebe-se a urgência em resolver a atual questão da fome. Para isso, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Economia, destine recurso financeiro para projetos e campanhas que visem entregar alimentos e itens essenciais para as pessoas menos afortunadas. Tal medida ocorrerá por meio da criação de um Projeto Nacional de Combate à Fome, o qual irá servir de instrumento de orientação para as instituições que lutam contra a escassez alimentícia. Isso será feito a fim de garantir um maior conforto às pessoas em situação de risco. Afinal, é chegada a hora das Carolinas do Brasil serem vistas apenas nos livros.