A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 13/10/2021

Na obra “Utopia”, pertencente ao escritor Thomas Moore, é retratada uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de problemas e conflitos. Entretanto, vê-se que, na prática, a realidade configura entrave para a concretização dos planos de Moore, visto que a questão da fome em tempos de pandemia torna evidente um grave óbice social: a desigualdade. Nessa perspectiva, cabe analisar os agentes responsáveis pela persistência da miséria no Brasil e relatar as consequências dessa problemática.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a situação de extrema pobreza vivenciada por milhões de brasileiros deriva da baixa atuação de órgãos governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Dessa maneira, consoante à escritora alemã Hannah Arendt, a essência dos Direitos Humanos é justamente o direto de tê-los. Nesse viés, a estudiosa explicita nesta frase a necessidade do cumprimento de preceitos básicos que deveriam ser assegurados a todo e qualquer cidadão. No entanto, a frase dita por Arendt torna-se paradoxal, pois, o Estado Nacional -  órgão máximo da Nação e responsável pela efetivação dos benefícios à população - não assegura estes para a sociedade, especialmente para as comunidades periféricas de centros urbanos e contribui para a permanência da fome entre estas.

Ademais, vale salientar que, enquanto houver omissão da responsabilidade Estatal, haverão consequências para o desenvolvimento do país. Nesse sentido, o sociólogo alemão Karl Marx denominou e disseminou a teoria da “Mais-valia”, que consistia na ideia de que a maioria das riquezas era produzida pelos trabalhadores, mas estes não usufruiam do seu trabalho proporcionalmente, ou seja, apesar de trabalhar muito, recebiam pouco. Desse modo, é evidente que este pensamento de Marx é o posto em prática na economia capitalista vigente hodiernamente e, em decorrência da crise financeira que o Covid-19 causou, o “proletário” - como o alemão costuma mencionar - foi a camada social mais afetada, acarretando em uma estagnação da economia gerada pela reação em cadeia do desemprego, porque sem trabalho muitas pessoas deixam de comprar e, dessa forma, impedem a circulação de dinheiro no mercado interno.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para mitigar a fome no Brasil. Para tanto, faz-se mister que o Estado invista em políticas públicas de beneficiamento da população mais carente, por meio da criação de leis que disponibilizem bolsas de auxílio com um valor digno para a sobrevivência - além de cursos que estimulem a importância de empreender - com o fito de melhorar a vida de quem convive amargamente, todos os dias, com a miséria. Assim, os desejos de Hannah serão realizados.