A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 14/10/2021

É inegável que a fome existe no mundo há milhares de anos, há registros de populações do Egito Antigo que necessitavam de doações das sobras de colheitas para sobreviver. Em paralelo, séculos depois a cena de dependência de sobras se expandiu para todos os continentes e foi agravada com o advento da pandemia de COVID-19. Assim, é necessário avaliar como a distribuição de renda e alimento

afeta esse cenário e quais as mudanças necessárias para combater essa mazaela social.

A priori, nota-se que a agricultura produz conforme demanda, portanto escassez de alimentos não é o problema, mas sim sua distribuição irregular focada nos grandes centros, fato que apenas piorou na pandemia com as recessões. Para corroborar, verifica-se o dado da revista Super Interessante “desde 2013 a agricultura tem recursos para alimentar toda as pessoas em uma dieta de pelo menos 2.720 kcal por dia”. À luz de tal fato, sabe-se que existe alimento e ele não chega para todos, então  está sendo desperdiçado. Não se pode negar, que caso não exista uma revolução estrutural de divisão e consciência sobre excessos, mais pessoas irão sofrer com desnutrição e fome.

Ademais, a relação desemprego e fome são diretas e com as conquências da pandemia como fechamento de diversas empresas maiores e menores, mais seres humanos entraram em situação de vulnerabilidade. Configura-se, assim, a ideia de que para solucionar a subalimentação mundial é necessário investir na raíz do problema: gerar mais empregos e promover  segurança através da vacina para que a rotina laboral volte ao ritmo correto. Tal exemplo de recuperação é o Japão, que investiu intensamente na vacinação, além de gerar empregos através da construção de centros de saúde e assim segundo a instituição Austin Rating atingiu a posição 97 de 100 no ranking do desemprego 2021.

Destarte, é vísivel que é necessário uma modificação estrutural para combater a problemática da fome que se agravou na pandemia, além das alterações de saúde que o novo vírus exige. Para tanto no Brasil, o Governo, através  do Ministério da Saúde, que é uma ótima fonte de promoção de saúde pública e gratuita, deve intensificar o programa de vacinação e focar principalmente nos trabalhadores, aos governos estaduais cabe criar um sistema de cadastro de pessoas desempregadas e os direcionar para obras governamentais, os trabalhadores escolhidos deverão receber um salário digno que garanta o seu sustento. Ademais, aos prefeitos cabe criar uma associação entre mercadores e produtores, para que produtos com defeito na embalagem não sejam descartados, mas  expostos em cestas frente aos mercados para que pessoas em situação de vulnerabilidade usufruam. Ao poder legislativo, cabe criar uma lei que faça com que grandes agricultores deixem 10% da produção no local produzido, valorizando o acesso de moradores. E assim, gradativamente alcançar uma sociedade sem fome.