A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 13/10/2021
O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar a fome em tempos de pandemia no Brasil, que é recorrente na vida dos cidadãos, constata-se que esse benefício não tem sido pragmaticamente assegurado na prática. Com efeito, é necessário enunciar a ausência de leis governamentais e a falta de abordagem midiática como pilares essenciais da chaga.
É importante ressaltar, de início, a escassez de ações governamentais como promotora do problema da falta de alimentos durante a pandemia. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. No entanto, percebe-se que, no território nacional, há a recorrência de obstáculos, tal qual a situação precária dos polos de distribuição de cestas básicas, que atrapalham o combate à fome no país, já que o Estado não garante verbas decentes para os centros de doação. Logo, discorrer criticamente acerca dessa temática é o primeiro passo para a consolidação de um País equânime.
Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis corrobora a persistência do impasse. A esse respeito, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados relatou que, cerca de 9% da população brasileira está em situação grave quando o assunto é acesso à comida. Por conseguinte, depreende-se que a pouca ênfase dada pela mídia corrobora o desamparo da sociedade, agravando o problema da desnutrição em situação de pandemia. Assim, medidas precisam ser tomadas a fito de atenuar o revés.
Portanto, o debate acerca da questão da fome em tempos de pandemia na sociedade contemporânea brasileira é imprescindível para assegurar um nível de qualidade de vida satisfatório. Destarte, é imperativo que o Ministério dos Direitos Humanos - órgão máximo regulador dos direitos no País - agregue planos de desenvolvimento prioritário de centros de fabricação e distribuição de alimentos às empresas do ramo, por apoio financeiro, para que os empresários entrem em contato com a problemática, de modo a garantir a alimentação da população necessitada. Além disso, urge que a mídia conceda espaço para a propagação do assunto, com o objetivo de conscientizar seus consumidores. Feito isso, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.