A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 14/10/2021

De acordo com a Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, é dever do Estado assegurar o direito à alimentação. Entretanto, a fome no país sempre foi um grande problema, que se tornou ainda mais recorrente em razão da pandemia da Covid-19, visto que os preços dos alimentos passaram por grandes reajustes, e também, muitos pais de famílias perderam seus empregos, passando por dificuldades para colocar alimento sobre a mesa.

Em seu livro “Quarto de Despejo - Diário de uma favelada”, Maria Carolina de Jesus expõe a dificuldade de um pobre se alimentar, para ela, “O maior espetáculo do pobre da atualidade é comer”. Ao analisar a citação da autora, é possivel enquadrá-la na realidade pandêmica do Brasil, que passa por um cenário crítico de fome, com cenas chocantes como ocorre em Cuiabá: a distribuição de pedaços de ossos com retalhos de carne, o que era feito apenas uma vez na semana, na pandemia passou a ser feito três. Dessa forma, é perceptível a grande proporção que esse problema vem tomando, principalmente pelo aumento do preço dos alimentos durante a pandemia.

Ademais, o aumento de desempregados contribuiu para que esse cenário se tornasse ainda pior. Na obra “Utopia” de Thomas More, o autor retrata uma sociedade perfeita, uma visão de mundo sem problemas e sem conflitos. No entanto, a situação não permite que isso seja uma realidade, visto que o Brasil há muitos problemas a serem solucionados, e um deles com certeza é a falta de empregos, que aumentou de forma excessiva durante a quarentena, fazendo com que muitas pessoas não tivessem condições de comprar alimento para o próprio sustento.

Visto isso, é notório que medidas eficazes sejam tomadas para que a situação seja amenizada. Para isso, urge que o Governo Federal garanta uma verba ainda maior do que só a qual é oferecida no auxílio emergencial, por meio de critérios avaliativos de renda, para que famílias mais pobres possam comprar seu próprio alimento, dessa forma o problema pode ser aliviado, mesmo que gradativamente. Além disso, é de suma importância que o Ministério da Economia atue proporcionando a oportunidade de novas vagas de empregos para pessoas que necessitam, pois, assim, a economia irá girar e consequentemente diminuir o número de pessoas famintas no Brasil. Somente assim será possível suavizar um problema tão recorrente que atinge grande parcela do país.