A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/10/2021

A pandemia de Covid-19 prejudicou a todas as pessoas independentemente da classe social, mas evidentemente as classes mais prejudicadas foram as mais baixas que, antes da pandemia, já sofriam com a insegurança alimentar ou fome. Por consequência desse cenário, o número de famílias que sofrem com essa realidade aumentou, mas não se deve fechar os olhos somente para situações específicas e sim olhar a insegurança alimentar e a fome como um todo.

Dados do IBGE entre 2016 e 2017, segundo o site BBC, já apontavam uma piora na segurança alimentar nos domicílios brasileiros causados por erros de políticas públicas e de sua destruição. Um exemplo foi a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional pelo Presidente Jair Bolsonaro logo depois que assumiu o cargo. Assim, a pandemia em 2020 só acelerou e piorou um processo que já estava ocorrendo desde 2016: a má distribuição e defasagem de renda nos programas sociais colocados em evidência para todos com a inflação e perda de poder de compra do brasileiro.

Em vista de toda situação decorrente de alguns anos e a piora repentina nos últimos quase 2 anos, houve o aumento da fome e a ocorrência de situações extremas. Manuel Bandeira, em seu poema “O Bicho”, fala sobre um homem que procura sua fonte de alimento no lixo,como um animal, e essa é uma das várias vertentes que muitas famílias brasileiras têm procurado para se alimentar, por meio de restos deixados por supermercados e restaurantes. Além disso, muitos contam com caridade de ONGS e até roubo, e quando não optam por nenhuma das horríveis possibilidades de se alimentar, o que lhes resta é passar fome.

Em resumo, é uma situação deplorável na política social, que gera cada vez mais miséria. Para melhorar a situação da fome em longo prazo não são necessárias ONGS e Caridades, mas sim uma nova política social e econômica. Em primeira instância, é necessária a reativação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional pelo Governo Federal, a reestruturação das finanças públicas pelo Ministério da Economia para reajustar os preços de programas como o Bolsa Família de acordo com a inflação e aumentar os investimentos em planejamento familiar, além do reajuste que deveria ser feito pelo governo federal para que mais famílias se encaixem nos programas. Dessa maneira, o país poderá voltar a ter um bom desenvolvimento em questão da alimentação e mantê-la para mais famílias com baixa renda.