A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/10/2021
No poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira, é demonstrada a animalização do ser humano perante a fome e sua situação impactante de miséria nos anos quarenta. Porém, mesmo depois de décadas, no Brasil, a fome ainda é uma realidade, que foi extremamente agravada durante a pandemia de Covid-19 em função da crise econômica gerada, a qual afetou, principalmente, pessoas que já enfrentavam desigualdades sociais.
Durante a pandemia, além de muitos trabalhadores terem perdido a vida para a Covid, muitos brasileiros também perderam seus empregos após o fechamento de empresas e comércio visando ao isolamento social e, dentre eles, 80% eram das classes C, D e E, segundo dados da Kantar. Nesse viés, com a diminuição de renda dessas famílias já antes vulneráveis, a fome foi um dos fatores que se agravaram. Além disso, o aumento no preço dos alimentos básicos e a diminuição do poder de compra também prejudicaram a população.
Diante dessa crise, muitas famílias se tornaram dependentes de auxílios financeiros do governo, como o Auxílio Emergencial, criado em 2020. No entanto, um ano depois, a diminuição do valor dos pagamentos foi tanta que estes não foram suficientes para a compra de cestas básicas. Ademais, como a alta nos preços dos alimentos, o consumo de carne bovina foi o menor em 26 anos, segundo a Conab, chegando a tal ponto que filas se formaram para que pessoas pudessem se alimentar de ossos para suprir a necessidade do consumo de proteínas, evidenciando a gravidade da situação.
Diante do exposto, é notável que os problemas econômicos do país foram maximizados na pandemia e que a fome intensificou a fragilidade de muitos lares. Portanto, é necessário que o valor do Auxílio Emergencial seja aumentado, beneficiando mais pessoas e durando mais tempo. Além disso, empresas privadas, por meio de incentivos fiscais, devem apoiar ONGs no fornecimento de cestas básicas e na intensificação de programas de auxílio alimentar para que as pessoas prejudicadas sejam mais bem amparadas.