A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/10/2021
Uso de imagens em preto e branco, o retrato do cotidiano de pessoas que sofrem com a fome em sua forma mais real e a habilidade de resistir que elas têm de ter, inventando maneiras para se alimentar, como aquecer água com açúcar e este ser o único alimento do dia para a família, são alguns dos elementos que o cineasta José Padilha mostra em seu documentário “Garapa” de 200, nele foi retratado as verdadeiras faces da fome no Brasil, principalmente na região do Nordeste. Padilha e sua equipe registraram imagens do cotidiano de famílias carentes do estado do Ceará, o documentário é tido como um exemplo cinematográfico nacional de demonstração da realidade de muitos brasileiros.
A fome sempre foi um empecilho social de grande importância em nosso país, mas após a pandemia da Covid-19 ficou cada vez mais distante da realidade da população a essencial tarefa de comer, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) no Brasil cerca de 20 milhões de pessoas passam 24 horas (ou mais) sem se alimentar, é certo como pandemia foi um impetuoso agravante para esta questão, a perda e falta de empregos, a inflação, deu à população medo e angústia de talvez nunca voltar a comer três vezes, todos os dias. Uma realidade inaceitável, mas que vemos com muita facilidade nos dias de hoje, são imagens de pessoas comprando restos de animais, como ossos, sobras, e até carcaça de peixes, que para quem está fora dessa bolha de miséria é algo completamente inadmissível e fora do comum, visto antes talvez somente em comparações de Graciliano Ramos de pessoas que fugiam da seca e acabavam igual a animais, podendo se alimentar apenas de restos podres de animais.
Porém, não é apenas no Brasil que a questão da fome se tornou pior, principalmente em países pobres a degradação de pessoas que tem a garantia de comida na mesa foi nítida, o continente Africano foi o que obteve o pior agravamento no mundo e de acordo com a ONU cerca de um décimo da população global, que é equivalente a até 811 milhões de pessoas, enfrentaram a fome no ano passado. O coronavírus expôs como grandes questões que já eram tratadas com certa importância, precisam ser colocadas ainda mais como prioridades para governos e organizações mundiais, sendo que a fome é apenas uma delas.
A realidade é triste e inaceitável, que não pode ser vista como “um novo normal” no Brasil, até porque não é preciso ser, isso se votarmos em governantes que entendam a gravidade da situação, que olhem para a questão com empatia e comecem a fazer algo que realmente possa ajudar a combater a fome, que vejam como que ficar horas ou dias sem comer é desumano e tem que ser combatido com recursos públicos e econômicos, como a garantia de empregos e distribuição de alimentos básicos.