A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 26/10/2021

No documentário “Garapa” do cineasta José Padilha é retratada a fome no mundo, situando o problema no estado do Ceará. Na época, um senso do IBGE revelou que 11 milhões de brasileiros passavam fome, e na pandemia esse número subiu para 19 milhões segundo a Rede Pessan. Nesse viés, é possível analisar que os efeitos da pandemia na rotina do brasileiro foram muito mais do que apenas o distanciamento social e o uso de máscaras: hoje, metade da população sofre com algum tipo de insegurança alimentar e a alta dos preços dos alimentos afeta toda a população.

Em primeiro lugar, é importante pontuar que o Auxílio Emergencial implementado em 2020 ajudou cerca de 68 milhões de brasileiros em um dos piores momentos da pandemia. Porém, as parcelas de cerca de 300 reais não estão sendo suficientes para muitos; a questão da insegurança alimentar grave se tornou um grande problema especialmente no ano de 2021. Conforme o Artigo 5º da Constituição Federal, é garantido o direito à vida, portanto, a inexistência de um programa efetivo em escala nacional contra a situação da insegurança alimentar - e consequentemente a fome - no Brasil denuncia o descaso do Governo Federal com sua população.

Ademais, a problemática da alta dos preços dos alimentos afeta todos os cidadãos, não apenas aqueles em estado de insegurança alimentar moderada ou grave: famílias em todo o país sentiram no bolso a alta dos preços e, em casos mais graves, tiveram que buscar alimentos alternativos. Além de que, segundo números levantados pela Rede Pessan, 43,4 milhões de brasileiros não contam com alimentos em quantidade suficiente.

Portanto, para reduzir os danos da fome na pandemia, urge que o Governo Federal, por meio do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional formule e implemente planos e programas de segurança alimentar em âmbito nacional. Somente assim os brasileiros terão garantido, definitivamente, o seu direito à vida.