A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/10/2021

Sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim, em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua função, a fim de que não ocorra uma patologia social. Não obstante, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra a questão da fome em tempos de pandemia, verifica-se que essa visão é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Dessa maneira, é evidente que a problemática se desenvolve não só devido ao alto índice de desemprego, mas também a inflação dos alimentos diante desse quadro alarmante.

Em primeira análise, cabe analisar a ausência de medidas governamentais para combater o alto índice de desemprego. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado foi criado para assegurar os direitos dos indivíduos, eliminar condições de desigualdade e, assim, promover a coesão social, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, por causa da baixa operação das autoridades, em Setembro do ano de 2020, o Brasil bateu recorde nos índices de desemprego, somando no total 13,5 milhões de desempregados e, consequentemente milhões de pessoas vulneráveis a situações de fome. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, a inflação dos alimentos também pode ser apontado como promotor do problema. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, a inflação começou a registrar um aumento gradual com a distribuição do auxílio emergencial. Causando assim, grande impacto no preço dos alimentos, a soja, por exemplo, subiu 87,89%, o arroz ficou 69,80% mais caro e a batata passou a custar 47,84% a mais. Partindo desse pressuposto, percebe-se que se não houver um reajuste no salário mínimo, a população não possuirá poder de compra e como consequência, o valor dos alimentos aumentará ainda mais. Destarde, tudo isso retarda a resolução do empecilho que a inflação contribui para a perpetuação desse cenário caótico.

Depreende-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos obstáculos para combater a questão da fome em tempos de pandemia. Assim, o Tribunal de Contas da União, deve direcionar capital que, por intermédio do Governo, será revertido em investimentos, através de programas e ações, uma vez que é necessário promover a segurança alimentar e nutricional da população, com o objetivo de amenizar essa situação no qual o mundo se encontra. Dessa forma, poder-se-á diminuir, gradativamente, essa patologia social prevista na teoria de Durkheim.