A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/10/2021
Emile Durkheim, sociólogo francês, afirma que a sociedade funciona como um corpo biológico, o qual, para ser igualitário e coeso, necessita do pleno funcionamento das partes que o compõem. Visto isso, a questão da fome em tempos de pandemia, corrobora que esse corpo esteja enfermo. Sendo a ineficiência do planejamento governamental para gerir tanto a crise sanitária, quanto a insegurança alimentar por ela agravada, a causa principal dessa problemática.
Em primeira análise, é inegável que a pandemia de COVID-19 afetou o planeta nas mais variadas esferas, incluindo a econômica, mesmo que de maneiras diferentes para cada classe social. Sob esse ponto de vista, ao passo que os mais abastados sofreram pouca ou nenhuma alteração no seu estilo de vida, pessoas com menor poder aquisitivo se viram em um cenário de desemprego, perda de moradia e fome. Situação que, analogicamente, é retratado no filme “O poço”, em que, para os níveis mais altos, tudo, aos inferiores, o restante. O que prova que, enquanto a injustiça social for regra, a equidade de direitos será exceção.
Ademais, como o colapso social gerado pela pandemia já era previsto, a prevalência das suas consequências, ratifica a incompetência das medidas atenuantes tomadas pelo Estado. A exemplo disso, no Brasil, o valor da parcela do auxílio emergencial pago pelo governo foi de trezentos e setenta e cinco reais, mesmo com a inflação crescente e alta no preço de alimentos básicos, o que é inconcebível, uma vez que o valor da cesta básica é praticamente o dobro desse valor. Conjuntura essa que reforça o pensamento do escritor Voltaire, de que a política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano.
Diante do exposto, fica clara a necessidade de mitigar os óbices discutidos. Portanto, cabe ao Ministério da Economia em parceria com o Ministério da Agricultura, a ampliação de ações que visem reduzir as disparidades sociais e a insegurança alimentar. Isso será feito mediante um pacote de medidas a serem incluídas na Lei Plurianual, a saber: aumento dos recursos destinados a programas sociais, como bolsa família, por exemplo, imposição de um teto de preços aos alimentos básicos e extensão do programa paulista “Bom Prato” à nível nacional. Com vistas a assegurar que os mais vulneráveis tenham suas necessidades alimentares básicas sanadas e que as desigualdades comecem a ser remediadas. Dessa forma, com a aplicação e êxito da conduta apresentada, o corpo social proposto por Durkheim, poderá reequilibrar-se.