A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/10/2021
O escritor português José Saramago evidencia a fome em seus poemas, como nos versos: “Aqui, na Terra, a fome continua. A miséria, o luto, e outra vez a fome. ” Com essa abordagem pode-se perceber que a escassez e carência de alimentos impulsiona problemas como o luto que em contexto social atual é possível ser relacionado à epidemias globais, como a da Covid-19. Ademais, é de extrema importância refletir tanto sobre as desigualdades estruturais na sociedade, quanto sobre a crise financeira que desencadeia o baixo poder de compra da população.
Sob tal ótica é possível citar o posicionamento dos chefes das agências da ONU referente ao aumento do número de pessoas que enfrentam a fome: “Infelizmente, uma pandemia continua a expor fraquezas em nossos sistemas alimentares, que ameaçam a vida e a subsistência de pessoas em todo o mundo “. Outrossim, a má nutrição está presente na vida de mais de 200 milhões de crianças com menos de 5 anos, 45 milhões enfrentam a desnutrição crônica, causada pela grande oferta de alimentos além da má distribuição e gestão deles.
Convém lembrar que com o lockdown - protocolo de isolamento executado em 2020 e 2021- a demanda dos supermercados sofreu uma diminuição, pela queda do poder de compra, tendo como consequência a inflação, expandindo ainda mais os desequilíbrios sociais e miséria. Dessa forma, o economista francês Thomas Piketty define que com o aumento do capital especulativo referente às pessoas com maior poder de compra, há uma diminuição no capital produtivo, o que resgata a ideia de que há um desequilíbrio na disposição de capitais.
Em virtude dos fatos destacados, é preciso que o Estado tome providências para amenizar o quadro de fome atual. Para obter índices menores de desigualdade social, urge que o Ministério da Saúde promova, por meio do redirecionamento de verbas, uma urgente estruturação de restaurantes locais, com refeições balanceadas e com baixo custo. Além de um auxílio financeiro efetivo para as pessoas em situação de vulnerabilidade que foram afetadas diretamente pela pandemia. Somente assim será possível que haja uma diminuição da miséria no país, o que melhora a nutrição individual e expande a expectativa de vida da população.