A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/10/2021
Segundo o empreendedor social Edu Lyra, o Brasil retornou ao mapa da fome, com 19 milhões de pessoas carentes de alimentação e 119 milhões em situação de insegurança alimentar. Em meio a incerteza do vírus do Covid-19, o aparente crescimento dos níveis de desemprego e a defasagem na cobertura e nos valores do programa Bolsa Família são alguns dos inúmeros motivos para a crise de fome que vem abalando grande parte da nação nessa pandemia.
Em primeiro lugar, é essencial ressaltar que o desemprego no Brasil, de acordo com projeções do FMI, deve atingir, neste ano, a 14° maior taxa mundial e informações do Instituto Brasileiro de Geografia, o IBGE, afirmam que a taxa de desemprego se encontra em 14,1% no segundo trimestre de 2021. A instabilidade gerada pelo Lockdown, a superlotação hospitalar e o demorado desenvolvimento e compra de vacinas contra o Coronavírus, acarretou no fechamento de diversos estabelecimentos comerciais. Assim, uma quantia gritante de brasileiros ficaram sem ofício e necessitam do auxílio desemprego.
Ademais, é previsto que o projeto Bolsa Família seja substituído por volta do final de 2021 pelo Auxílio Brasil, esse que estima-se ter um valor de 300 reais, 108 reais a mais que o atual projeto. Baseado nos dados relacionados aos dependentes do programa e na enorme porção de indivíduos que sobrevivem com apenas um salário mínimo, é possível afirmar que encontrar pessoas em situação de insegurança alimentar tornou-se cotidiano. Com a alta da inflação e dos produtos alimentícios, muitos passaram a optar por alimentos de menor qualidade e outros dependem de cozinhas comunitárias e comunidades religiosas para ter direito a uma refeição digna.
Entende-se, portanto, que o desemprego e a defasagem na cobertura e nos valores do projeto nacional Bolsa Família, corroboram para o aumento da fome em tempos pandêmicos. Para que o Brasil diminua os índices de desnutrição, emerge que o Ministério Público, por meio de verbas orçamentais, auxilie projetos de Organizações Não Governamentais (ONGs), que visam elevar o número de pessoas com acesso à alimentação de qualidade, construindo mais restaurantes populares e refeitórios com valores acessíveis. Para mais, urge que o Ministério da Economia aumente o valor do auxílio para as famílias carentes. Assim, há alguma esperança de melhoria na questão da fome na pandemia no Brasil.