A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/10/2021

Contradição alimentar

O Brasil encontra-se em uma contradição alimentar: embora seja um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, a fome ainda assombra parte da população brasileira. Esse cenário se agravou com o surgimento da pandemia do coronavírus e está diretamente relacionado com o desemprego e a falta de políticas públicas. Dessa forma, é essencial a tomada de medidas para garantir uma alimentação de qualidade, direito social garantido pelo Artigo 6º da Constituição de 1988.

Primeiramente, é necessário apontar a relação entre a pandemia e o desemprego. A situação com a COVID-19 sobrecarregou os sistemas de saúde e contribuiu imensamente para acelerar a crise econômica já existente no país desde 2015. Com a nova doença, foi estabelecido um isolamento social que causou milhares de desempregos e aprofundou a crise monetária, atingindo principalmente as populações mais pobres e carentes. Segundo dados da pesquisa da Rede Penssan, 19,1 milhões de brasileiros passaram fome em 2020, ano no qual iniciou-se a pandemia. Dessa maneira, nota-se a ligação entre as crises sanitárias e econômicas e as consequências avassaladoras nos cidadãos.

Em segundo lugar, ressalta-se a carência de políticas públicas no que diz respeito à exportação e importação de alimentos. Nesse sentido, a desvalorização do real combinada com a inexistência de políticas agrícolas para regular o mercado interno criaram um cenário ideal para o aumento da exportação. De acordo com a Lei da Oferta e Demanda, conceito criado por Adam Smith, a alta demanda por alimentos e a pouca oferta destes no mercado interno resultam em uma inflação alarmante. Logo, com o altíssimo preço dos alimentos básicos e a crise de desemprego, a população mais afetada com a desigualdade social sofre com a insegurança alimentar. Assim, é crucial incentivar a venda de produtos para o mercado interno, assim como criar medidas para diminuir o desemprego.

Portanto, medidas são necessárias para resolver essa problemática. Isto posto, é dever do Estado fornecer ajuda econômica e social às famílias mais vulneráveis com os efeitos da pandemia. Para isso, deve-se criar políticas de proteção alimentar e econômica àqueles que trabalham informalmente e/ou que estão em situação de pobreza, de modo a assegurar uma melhor qualidade de vida. Ademais, incentivar a venda de produtos para o mercado interno, por meio de políticas públicas agrárias, é importante para a diminuição da inflação. Dessarte, o Brasil obedecerá os direitos assegurados na Constituição e a contradição alimentar não será mais a realidade do país.