A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/10/2021

O compositor pernambucano Luiz Gonzaga, “Rei do Baião”, tem a seca e as suas consequências como grande temática, inseridas em diversas músicas como em “Vozes da seca” e “Asa Branca”. Nesses tempos de pandemia, a situação pouco mudou, ainda mais com a questão da fome assolando milhões de pessoas. Desse modo, é fundamental a erradicação dela, principalmente, no Brasil, pois a alimentação é um direito fundamental e humano, além de que a fome é uma das consequências do subdesenvolvimento social da nação.

Inicialmente, é preciso considerar que na Declaração dos Direitos Humanos e na Constituição brasileira está escrito que a alimentação é uma garantia inviolável. Contudo, esse direito é diariamente, desrespeitado por conta da lógica de economia agroexportadora potencializada com a alta cotação cambial do dólar no Brasil. Por exemplo, há locais onde os açougues vendem ou doam ossos ou restos de carcaças de animais para as camadas mais pobres e famílias. Sendo assim, a exterminação da fome é uma forma de devolver dignidade e humanizar as pessoas marginalizadas da sociedade.

Outrossim, o Brasil não pode seguir a marcha do desenvolvimento por certos pesos no país, incluindo o da insegurança alimentar. Segundo a Organização da ONU sobre Agricultura e Alimentação (FAO), esse fenômeno atingiu um quarto dos brasileiros desde o início da pandemia em março de 2020, o que demonstra um retrocesso da sociedade no combate a falta de alimentação, um aprofundamento da crise econômica e lentidão na recuperação. Então, extirpar esses fatores para conduzir o país nas metas e compromissos internacionais já assumidos é necessário para a pátria, assim como foi feito em 2014 com a saída do Brasil do Mapa da Fome.

Medidas, portanto, são exigidos para resolver o impasse. A questão da fome sempre foi um problema para o planeta, porém no momento de pandemia em que se vive, ele aumentou o tamanho. Com isso, o Ministério da Agricultura e Abastecimento, cuja função é garantir a segurança alimentar e promover a agropecuária nacional, deve estabelecer metas e um planejamento em conjunto com os fazendeiros e a indústria alimentícia por meio de reuniões e incentivos econômicos a fim de promover uma maior distribuição e oferta de comida para as demais classes marginalizadas. Assim, o Brasil deixará de viver a realidade cantada nos versos das músicas de Luiz Gonzaga.