A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/10/2021
No livro “Quarto de despejo” Carolina Maria de Jesus relata sobre o seu dia a dia na favela de Canindé, tendo a fome como o maior de seus entraves enfrentados. De acordo com a audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputado, assim como na vida de Carolina, a fome também está presente na vida dos 19 milhões de brasileiros que estão em situação grave em relação ao acesso à alimentação, de forma agravada pela pandemia devido a paralisação de atividades laborais, e a desigualdade social presente na sociedade.
Em primeiro lugar, é importante destacar que por conta da pandemia de covid-19 muitos empresários se viram obrigados a paralisar suas atividades econômicas e determinar que seus empregados ficassem em casa no período de quarentena, e outros ficaram desempregados. Por esse motivo a economia sofreu uma quebra muito grande e a carência alimentar aumentou, fazendo com que a quantidade de mortes também se tornasse maior.
Além disso, os dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid revelam que 55,2% da população brasileira sofrem alguma ameaça ao direito aos alimentos. A situação mais severa atinge a mesma parcela vítima da extrema pobreza, principalmente mulheres chefes de família, pretas ou pardas, com baixa escolaridade e trabalho informal. A partir disso, observa-se que esse contraste sofrido pelos menos favorecidos é potencializado pela má distribuição de renda e mantimentos que vem perdurando por anos no território brasileiro.
Portanto, é necessário que o Ministério da Economia tome medidas estratégicas para mudar esse cenário. Para que isso ocorra o ministério deve tornar maior o auxílio emergencial, realizando uma forma em que essas famílias sejam capazes de garantir pelo menos a alimentação no cotidiano, e também intensificar valores de outros projetos sociais já existentes, tornando a situação de insegurança alimentar neste período de quarentena menor.